OPINIÃO
19/08/2014 18:13 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:22 -02

Dunga precisa de tempo, sem pressão por resultados imediatos

A torcida pedirá por uma resposta imediata. Quer duas vitórias. Ao meu ver, estes resultados deveriam pouco valer. Paciência, meu povo!

YASUYOSHI CHIBA via Getty Images
The coach of the Brazilian national football team, Carlos Verri, known as Dunga, announces the first squad of his second spell for next month's friendly matches, in Rio de Janeiro, on August 19, 2014 - with only 10 of those who featured at the World Cup making the cut. He named a squad of 22 players for the friendlies against Colombia in Miami on September 5 and Ecuador in New Jersey four days later. AFP PHOTO / YASUYOSHI CHIBA (Photo credit should read YASUYOSHI CHIBA/AFP/Getty Images)

O futebol brasileiro vive um momento de depressão pós-fracasso da Copa de 2014 (4° lugar em casa, depois de perder por 7 a 1 da Alemanha e 3 a 0 da Holanda). A situação ainda não é profunda, de UTI, na qual o paciente esteja sem forças para se levantar da cama e se reerguer. Porém, a preocupação existe. Já disse neste blog que a melhora do nosso futebol não depende só dos resultados da seleção brasileira. O buraco é mais embaixo. É preciso criar novas fundações, bem mais sólidas do que as atuais para que o trabalho não desmorone como ocorreu com Felipão. É estrutural, fiscal, regulamentar, etc. Sem isso, tudo continuará na farsa dos seus comandantes.

No Brasil, os resultados são mais relevantes que o planejamento. Dá-se mais importância ao curto prazo. O técnico de qualquer equipe, de pequeno, médio ou grande porte, precisa ganhar a partida. Somar três pontos. Sendo assim, ele pode priorizar o jogo feio, defensivo, em busca do placar favorável e da manutenção de seu emprego. E o jogo bonito, que fez do nosso futebol sinônimo de criatividade, drible? Está escondido em algum lugar. Meio que esquecido. Deixa pra lá.

Hoje, se o time perde duas, três vezes seguidas, a torcida pede a cabeça do técnico e a diretoria perde a cabeça em acatar o pedido. Quem rema contra esta corrente leva vantagem. O Corinthians de Tite e o Cruzeiro de Marcelo Oliveira são os exemplos dos últimos anos. O primeiro criou alicerces defensivos para originar um time compacto e rápido nos contra-golpes. Resultado: títulos de campeão brasileiro, da Libertadores e Mundial. O segundo armou uma equipe que melhor atua no campeonato, pra frente. Resultado: campeão brasileiro, que sobra na tabela deste ano para se tornar bi.

Com a Seleção não é diferente. Dunga fez nesta terça sua primeira convocação para tentar curar o trauma do Mundial. O processo será penoso. Há uma dura Eliminatórias até a Copa de 2018, que se prolongará por quase três anos. Sem surpresas, já esperando por nomes como Ricardo Goulart e Éverton Ribeiro, ambos do líder Cruzeiro, Marquinhos, do PGS-FRA, Elias, do Corinthians, o goleiro Rafael Cabral, do Napoli-ITA, o meia Philippe Coutinho, do Liverpool-ING, e alguns remanescentes do elenco abalado (Luiz Gustavo, David Luiz e Neymar), o técnico do escrete canarinho sabe que sofrerá pressão para vencer a Colômbia, em Miami, dia 5 de setembro, e o Equador, em Nova Jersey, dia 9, nos Estados Unidos.

A torcida pedirá por uma resposta imediata. Quer duas vitórias. Ao meu ver, estes resultados deveriam pouco valer. Para resgatar o brio (e o brilho da Seleção) é necessário dar tempo. Permitir que Dunga e o técnico Alexandre Gallo, da Sub-20, ponham a filosofia integrada em campo. Para sanar uma depressão não basta tomar três pílulas e sair cantando por aí. Leva-se muitas sessões de terapia. Paciência, meu povo!

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