OPINIÃO
25/03/2014 10:13 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:16 -02

Copa do Mundo: sou contra e a favor

O título acima é a síntese do que penso sobre a Copa do Mundo 2014, embora eu seja um defensor de sua realização no Brasil. Dúbio? Pois é, explico. Como fã, sempre sonhei em ver o maior evento esportivo do planeta por aqui, e terei o privilégio de acompanhar alguns jogos in loco, mas da forma como a Copa foi consumada, a vergonha se sobressai ao invés do orgulho que todos nós deveríamos ter. O erro não foi trazer a Copa ao Brasil e sim como ela foi concebida.

Em meados de 2009, a então ministra da Casa Civil, Dilma Roussef, afirmou que o Governo Federal não pretendia gastar dinheiro público na construção de estádios e que o foco seria em investimentos de mobilidade urbana nas cidades-sede citando, por exemplo, a conclusão do trem-bala entre São Paulo e Rio de Janeiro como obra a ser inaugurada antes do ponta-pé inicial, no dia 12 de junho, na Arena Corinthians. Aconteceu exatamente o contrário.

O Governo atual da presidente Dilma demonstrou toda a sua capacidade de não executar o prometido e o dinheiro público foi direcionado para a construção ou reforma de estádios, esquecendo o tal legado em infraestrutura. A gastança e a falta de planejamento resultaram na insatisfação popular. E a culpa é do Governo. Grande parte dos mais de R$ 26 bilhões do orçamento da Copa foi destinada aos estádios, sendo apenas R$ 6 bi anunciados para a infraestrutura. Somente cinco das 41 obras consideradas de mobilidade urbana foram finalizadas. Como reverter a imagem negativa que o país do futebol está sedimentando lá fora? Claro que há exageros nos artigos publicados por jornalistas estrangeiros, só que abrimos este precedente. Perdemos a oportunidade de mostrar uma evolução no país para fazer a Copa mais cara da história. Atrasados? A quase 80 dias de a bola rolar, o estádio do jogo de abertura ainda luta contra o tempo e por dinheiro para as instalações provisórias. Problema também constatado em outras arenas. Situação pior a da Copa de 2010, na África do Sul, que sofreu com críticas parecidas.

A Fifa queria oito sedes na Copa, mas o Governo peitou a entidade em ratificar sua política com 12 estádios e gerar custos absurdos em locais sem tradição futebolística como Brasília e Manaus. Alguns podem lembrar que o retorno não é com a concretização do estádio mas na geração de receitas com o turismo. Mais uma prova do engano cometido. O importante é o legado para a cidade, o que a Copa deveria entregar à população para se firmar como destino turístico pós-evento. Foco no estádio está errado, ele deveria estar na cidade. Na qualidade dos serviços ofertados da rede hoteleira e gastronômica, no sistema de telecomunicações, na segurança, entre outros pontos.

Os protestos e sua violência já estão influenciando a Copa. Os cancelamentos da Fan Fest em Recife e de, provavelmente, Cuiabá, por carência de investimentos, refletem isso. Não tem jeito. A política adotada não se sustenta diante das reivindicações do povo contra mais gastos de recursos públicos. Se tivéssemos menos sedes, e um maior controle nas obras dos estádios e de infraestrutura, se houvesse transparência a fim de expurgar os superfaturamentos, se as promessas fossem cumpridas, o Governo não teria de correr atrás do desgaste. Coitados dos patrocinadores que aplicaram milhões na Copa. O Governo que segure esta bucha.

O povo tem o direito de reclamar desta pujança desenfreada de desperdícios. Por outro lado, pedir pelo cancelamento da Copa é demais, sem propósito. Este mesmo povo, apaixonado por futebol, moverá a Seleção dentro de campo rumo ao título. Não tenho dúvidas. Estas são as vantagens e desvantagens de se jogar em casa. É ano de Copa e de eleições!