OPINIÃO
03/04/2014 11:36 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:23 -02

Copa do Mundo: Mercado está ou não aquecido?

O que deveria ser uma oportunidade para o mercado se desenvolver e se consolidar, não se concretizou e ainda proporciona opiniões diversas entre profissionais do setor.

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ZURICH, SWITZERLAND - JANUARY 13: Neymar of Brazil and Barcelona poses for a portrait with Brazil's 2014 World Cup mascot Fuleco prior to the FIFA Ballon d'Or Gala 2013 at the Park Hyatt hotel on January 13, 2014 in Zurich, Switzerland. (Photo by Mike Hewitt - FIFA/FIFA via Getty Images)

Às vésperas do início da Copa do Mundo 2014, o mercado de marketing esportivo e da comunicação ainda discute sobre uma realidade distinta frente à expectativa gerada desde o anúncio da realização do evento no Brasil. O que deveria ser uma oportunidade para o mercado se desenvolver e se consolidar, não se concretizou e ainda proporciona opiniões diversas entre profissionais do setor.

A agitação com a chegada da Copa já deveria estar estampada nas ruas, com todo mundo vestido de verde e amarelo, com outdoors e banners espalhados pelas cidades-sede em alusão aos patrocinadores (ou não) do evento. Com ações e ativações nas ruas, na internet. Mas o cenário é difuso por conta, principalmente, do temor de manifestações programadas pelas redes sociais contra o enorme gasto de dinheiro público na construção de estádios e do desperdício de recursos sem o usufruto de seu legado. Em suma, o mercado deveria estar mais aquecido do que está. Esta é a constatação de muitos dos profissionais consultados pelo blog.

"Pelo excesso de otimismo que vivíamos no País, imaginava que o mercado estaria ainda mais aquecido, mas não posso reclamar", opina André Bronstein, diretor comercial da agência Mídia em Foco. "Imaginei que esse momento seria assim mesmo. O mercado deu uma aquecida sim. Muitas empresas que têm propriedades da Copa e CBF passaram a ativar promoções para o consumidor", afirma Evandro Guimarães, diretor de operações da agência Cheil e que trabalhou na 9ine. Aliás, a agência do Fenômeno não quis comentar sobre o assunto, assim como a África de Nizan Guanaes.

Já o consultor de marketing e gestão esportiva Amir Somoggi imaginava algo diferente do cenário atual. "Estou muito decepcionado já que as empresas perceberam que o clima pré-Copa esfriou em função da péssima imagem do Mundial junto à população. Isso refletiu nos projetos. Não vejo grandes inovações, além de companhas de mídia para fortalecer seus patrocínios ou ações promocionais", diz. "Se em ano de Copa, fora do País, o clima é sempre festivo, aqui no Brasil imaginei que isso seria multiplicado por dez, mas como se vê...", completa Fábio Wolff, da agência Wolff Sports.

Das empresas - Do ponto de vista interno de grandes corporações, as ponderações permanecem. "Não imaginei que este momento seria muito diferente. Se você me perguntasse o que eu gostaria de ver é mais empresas apoiando os esportes, que isso não fosse somente para as gigantescas detentoras de verbas altíssimas de marketing. Em ano de Copa, poderíamos ter um otimismo muito maior, mais investimentos e ativações", analisa Luis Carlos dos Anjos, gerente de marketing institucional da Locaweb.

"Vale uma reflexão. Será que a expectativa levantada lá atrás não foi muito alta? Ou houve uma retração? É uma mistura, superestimação com um contexto macro-econômico do País que fez que com reduzissem os investimentos", analisa David Grinberg, gerente de marketing esportivo do McDonald's, uma das patrocinadoras da Copa. O executivo da multinacional explica que as ações durante o Mundial, como a Player Scort, em que 1.408 crianças (85% do Brasil e de todas as classes socais) acompanharão os jogadores nas partidas do evento, estão respeitando o cronograma. "Teremos trabalho de sinalização nos restaurantes concentrados nas sedes, nas fan fests, na rede hoteleira, orientando os restaurantes próximos aos estádios. Isso está acontecendo da forma como havíamos planejado". Com relação ao temor de quebradeira entorno dos estádios e que poderá respingar nas lojas da rede, Grinberg exemplifica que nada foge do dia a dia. "Nossos restaurantes estão próximos aos estádios que têm jogos de times grandes e rivais. Já nos deparamos com Palmeiras contra Corinthians, Fla-Flu. Sabemos como lidar, mas temos de ter cuidado com a grande repercussão de um evento desses", finaliza.

Outra patrocinadora da Copa, a Adidas não revela suas estratégias e apenas comunica que está seguindo com o seu plano. "A Adidas vem obedecendo seu roadmap de lançamentos e terá um esforço maior de comunicação próximo dos jogos. Creio que estamos trabalhando neste sentido, de promover uma grande festa", aponta Diogo Guimarães, senior brand da marca no Brasil

COL/Fifa - Do lado do promotor do evento, segundo o Departamento de imprensa da Fifa, tudo transcorre normalmente, embora os atrasos nas entregas dos estádios possam determinar um final mal sucedido. "O fato de um estádio estar pronto realmente é importante, no entanto, a Fifa aborda de forma flexível o planejamento da produção e implementação do material de sinalização. Continuamos confiantes de que entregaremos a tempo. O relacionamento entre a Fifa e as marcas continua forte e isso pode ser percebido pelo nível sem precedentes de ativações dos patrocinadores". Dentro do planejado ou não, tudo poderia estar melhor encaminhado e com um mercado mais altivo.