OPINIÃO
09/07/2014 10:48 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:36 -02

Choque de realidade e a pior humilhação do futebol brasileiro

Acho muito difícil um dia conseguirmos devolver o placar. Quem sabe o futebol brasileiro, estagnado em sua arte individualista, possa nortear seu rumo a um futuro coletivo.

GABRIEL BOUYS via Getty Images
Germany's forward Thomas Mueller (C) scores their first goal during the semi-final football match between Brazil and Germany at The Mineirao Stadium in Belo Horizonte during the 2014 FIFA World Cup on July 8, 2014. AFP PHOTO / GABRIEL BOUYS (Photo credit should read GABRIEL BOUYS/AFP/Getty Images)

Derrota sofrida, triste, horrível. Talvez seja esta que nos próximos 100 anos lembrarão de uma semifinal na qual a Alemanha venceu o Brasil, por 7 a 1, como o resultado mais elástico de nossa história, de uma semifinal de Copa. Dói quando o escrete canarinho, pentacampeão do mundo, toma uma saraivada dessa magnitude em casa, no Mineirão. Dos 23min do primeiro tempo até os 29, o Brasil levou quatro gols. Pá púm. Parecia futebol society, de seis contra seis. A cada ataque, a bola balançava as redes.

Müller comandava um meio de campo soberano com Schweinsteiger, Kroos, Özil, além do atacante Miroslav Klose (que se tornou o maior artilheiro de todas as Copas com 16 tentos marcados), que apertava o Brasil e detinha os lances em contra-golpe mais perigosos. Enquanto o Brasil tentava sair rapidamente lançando a bola, o esquadrão germânico matava nossa ansiedade no peito e saía jogando calmamente. Cadenciava a bola e imprimia o ritmo. Nesse compasso, bailamos como crianças em um playground, fomos envolvidos pela ciranda. Afinal, uma aula de futebol. Em 30 minutos, 5 a 0. O que aconteceu com o futebol do Brasil? Desapareceu? Meu caro leitor, esta pergunta divaga para além das quatro linhas. A situação é tão grave que a solução é a greve. O futebol nacional tem dinheiro para seguir como um bom negócio, mas a questão é quanto você vai ganhar por fora, no seu bolso.

Pois é. Assim não há futuro que chegue. A Copa foi um alento. Conseguimos deixar boa impressão mesmo diante de tanta incompetência administrativa. O povo reverteu a percepção do estrangeiro, foi um cativante anfitrião ao modo latino-americano de festejar e congregar a paz mundial. Sem ofensa aos argentinos, só que estamos na nossa terra. Devemos usar o bom senso para aproveitar este choque dentro de campo para rever conceitos e a gestão do esporte bretão.

Os convocados de Felipão buscaram o auge. Correram no esforço de ficar em primeiro do grupo, depois de virar pra cima da Croácia (3 a 1), empatar com o México (0 a 0) e vencer Camarões (4 a 1), com grande atuação de Neymar. Sofremos nos pênaltis contra o Chile nas oitavas. Passamos pela Colômbia, nas quartas, em um 2 a 1 amargurante com a lesão definitiva do camisa 10, e chegamos à semifinal confiantes de que a união faz a força. Porém, o emocional se descontrolou de novo e o futebol alemão ensinou ao maioral: em como transformar um aprendizado em realidade. Passaram 12 anos desde a derrota na final da Copa de 2002, por 2 a 0, justamente para nós, aperfeiçoando uma escola de toque de bola e rapidez que coloca o time adversário na roda. Temos de aplaudir os alemães.

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Foi uma partida atípica. O jogo duro dos alemães se tornou maleável de tanto destroçar a defesa brasileira. O segundo tempo foi morno. 2 a 1 Alemanha. O gol de honra verde-amarelo foi o último a ser marcado. Aos 90min. No placar final, a eterna frustração. Acachapante. Acho muito difícil um dia conseguirmos devolver o placar. Quem sabe o futebol brasileiro, estagnado em sua arte individualista, possa nortear seu rumo a um futuro coletivo. Que o 'Mineirazzo' seja um recomeço após o purgatório. Que a prisão da máfia dos ingressos possa afundar os corruptos. Revolução já!

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