OPINIÃO
26/05/2014 15:05 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:36 -02

Chegou a Copa! E os turistas nada têm a ver com os nossos erros

Estadão Conteúdo

Ao longo da história moderna, o futebol realizou algumas façanhas que nem ditadores, radicais fundamentalistas ou regimes totalitários imaginariam enfrentar. Lembro, primeiramente, do livro Como o futebol explica o mundo, de Franklin Foer, que conta causos da bola capazes de incitar manifestações de libertação e fim da violência, da repressão religiosa contra as mulheres.

O esporte bretão paralisou guerras e promoveu esperança a populações de regiões inóspitas. A passagem mais emblemática, para os brasileiros, é a do Santos de Pelé pelo Zaire, no continente africano, em 1969. O país vivia um conflito civil e os dois lados armados (do governo e rebeldes) abdicaram dos tiros para ver o Rei jogar. Foi um breve momento de paz. Em 2004, a seleção brasileira de Ronaldo, Ronadinho, Roberto Carlos e companhia fez uma partida amistosa na capital do Haiti, Porto Príncipe, com o selecionado local para divulgar a campanha de desarmamento no país. O embate ficou conhecido como 'Jogo da Paz'.

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O cenário hoje no Brasil, a menos de 20 dias da abertura da Copa do Mundo 2014, era impensado anos atrás. Quem diria que o país do futebol, pentacampeão mundial, onde a cultura popular foi e é enraizada pela alegria da música e da bola, estivesse passando por uma crise institucional, à beira de revoltas violentas da grande massa, exatamente por receber o evento que tanto sonhou em ter, de novo, após 1950. E este momento, por certo, afugenta as bandeiras verde e amarela das janelas das casas, edifícios e carros.

A situação atual da sociedade brasileira é de total desordem. Ao ver as cenas de balbúrdia pelas ruas de Recife, dez dias atrás, durante a greve de policiais militares e bombeiros, e que culminaram em um aumento de assassinatos, roubos, saques e arrastões, e dos atos de vandalismo em protestos nas ruas das grandes capitais, fico com a sensação de que estamos por um triz de um caos generalizado. Os brasileiros, depois de sofrerem com o descaso na saúde, educação e saneamento (só pra ficar no básico!), do uso inadequado do dinheiro público, vêm mostrando a cara e gritando pelos seus direitos.

Sou a favor das manifestações, desde que sejam pacíficas. É preciso um basta na roubalheira (incluindo sobre os superfaturamentos na construção dos estádios), na corrupção. Mas a Copa chegou. Ela está aí, na nossa porta. E o país será o centro das atenções. Vamos receber centenas de milhares de turistas que nada têm a ver com os nossos erros. E descontar a raiva neles, transformando as cidades-sede em campos de batalha, seria um absurdo. Isso somente servirá para que a opinião pública internacional repercuta ainda mais a imagem negativa que já tanto assusta no exterior.

Cada indivíduo tem o livre arbítrio de optar por qual caminho seguir. Há pessoas que não gostam de futebol, de Copa. Respeito. Porém, que estas aceitem quem aprecia o esporte, quem quer curtir o espetáculo, a festa. O futebol é uma ferramenta propagadora da paz e não de trincheiras. E o Brasil sempre foi um agente dela no planeta.

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