OPINIÃO
07/05/2014 15:18 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:28 -02

A confiança de Felipão

Assim como na primeira família Scolari, a do pentacampeonato de 2002, esta segunda versão é pautada pela confiança. Aliás, ela é a palavra-chave para a disputa de torneio de tiro curto, como a Copa.

Buda Mendes via Getty Images
RIO DE JANEIRO, BRAZIL - MAY 07: Brazilian national team coach Luiz Felipe Scolari speaks during the announcement of the team's squad for the 2014 FIFA World Cup on May 07, 2014 at Vivo Rio in Rio de Janeiro, Brazil. (Photo by Buda Mendes/Getty Images)

Com a pompa de um espetáculo tipo padrão Fifa em uma casa de shows no Rio de Janeiro, e diante de mais de 800 jornalistas credenciados do país e do mundo inteiro, Felipão anunciou os 23 jogadores que farão parte de sua seleção brasileira na Copa sem a surpresa que tantos analistas previam dias antes.

O técnico canarinho seguiu a coerência que tanto pregou após a conquista da Copa das Confederações do ano passado e manteve o grupo campeão. Um ou dois nomes (inclusive supondo o acerto do álbum oficial com a figurinha de Robinho) poderiam surgir na lista final, causando espanto. Mas não! O único em que as apostam estavam em baixa era o zagueiro Henrique, ex-Palmeiras e hoje no Napoli-ITA, que se trata de um homem de confiança de Luiz Felipe. O próprio Felipão, durante a coletiva de imprensa, confirmou que a posição do quarto jogador na zaga gerou dúvidas na comissão técnica, embora não tirasse o sono de ninguém.

"Onde tivemos olhares finais e uma série de detalhes sendo observados foi a última indicação da quarta zaga. No caso, foi o Henrique. Ele é um jogador que eu confio, gosto do seu futebol", alegou o comandante. Pois é, quando um técnico confia em um jogador é muito difícil demovê-lo da ideia.

Assim como na primeira família Scolari, a do pentacampeonato de 2002, esta segunda versão é pautada pela confiança. Aliás, ela é a palavra-chave para a disputa de torneio de tiro curto, no qual o grande vencedor jogará sete partidas ao todo. Primeiro porque Felipão, depois da cisma que o antigo treinador Mano Menezes despertou com o péssimo resultado na Copa América de 2011 e da tardia definição do grupo, recuperou o apoio da torcida brasileira e o orgulho do nosso futebol. E o presidente da CBF, José Maria Marin, tirou das costas a responsabilidade por um novato, trocando-o pelo experiente técnico pois lhe faltava exatamente a confiança por alguém mais preparado a suportar uma Copa em casa. Segundo porque as seleções adversárias, que haviam perdido o respeito conosco, estão temerosas com o nível de competitividade que a Seleção adquiriu, nos últimos meses, sob a batuta de Felipão.

A confiança será fundamental para vencer a pressão e a obrigação de ganhar em casa, que existirá em cada esquina e na lembrança da derrota de 1950. "Quero pedir aos nossos torcedores, mesmo que discordem de A, B ou C, o que é normal, que os nossos jogadores sejam bem recebidos, da forma como sempre fomos tratados, para seguir em direção a aquilo que mais desejamos, conquistar o Mundial aqui no Brasil", finalizou Scolari.

Particularmente, acho que há muitos volantes no elenco de Felipão, mesmo que cumpram com a determinação de subir ao ataque e sejam o elemento surpresa como fazem em seus clubes. Eu deixaria um nome entre Luiz Gustavo, Hernanes e Fernandinho para dar lugar a mais um atacante. Talvez, levasse Kaká para esta função, uma vez que faltam outras opções. É uma singela opinião como mais um técnico entre os 200 milhões. Dos 23 chamados, apenas seis já estiveram em uma Copa (Júlio César, Maicon, Dani Alves, Thiago Silva, Ramires e Fred). Será experiência suficiente? Veremos... Espero que Felipão não tenha de olhar para o banco de reservas, com o time perdendo dentro de campo e precisando virar, para colocar um jovem sem esta cancha.

Em suma, a convocação de Scolari é congruente com aquilo que fez. E ele fará de tudo para manter o ambiente confiante. Esta é a sua virtude. Boa sorte!