OPINIÃO
17/02/2014 17:13 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:04 -02

Ainda sobre Black Blocs

Parece-me que já há certo consenso na medicina de que uma das causas do câncer seriam sentimentos ruins acumulados ao longo da vida. Anos e anos de ódio, mágoa, rancor e inveja armazenados podem desencadear tumores.

Não acho, então, exagero comparar os black blocs a tumores, não pelo medo e prejuízos que antecedem e rastreiam suas ações, mas sim pelos "acúmulos" ao longo de mais de 500 anos de história do país.

Não quero posar de sociólogo que não sou, ainda mais nessas breves linhas, mas nossa sociedade, cujo leme sempre foi manejado pelas elites, tem como regra proceder em favor da discriminação e da injustiça social. Se há tentativas que promovam e incentivem igualdade e correção de distorções, reage com sua ainda colonial empáfia de coronel canavieiro.

Dessa forma, foi cultivando sem perceber, ou percebendo e não fazendo caso, tumores malignos, sarcomas mortais, que agora se mascaram para quebrar vidraças, incendiar ônibus e lançar morteiros.

Brotaram da soma de peças que formam o mosaico de mau encaixe da vida nacional, tais como o desinteresse histórico pelo ensino bom e universal, o transporte público padrão lata de sardinha e o entendimento como normal sobre favelas e palafitas.

Mas, claro, black blocs também são bem nascidos, e aí levam para as manifestações seus mimos de classe média regida por ditames da Nike e da Apple, e também sua falta de costume em ouvir "não, não pode, não vai fazer, não deixo, não tem" e sua ausência de limites.

Na mídia, horrorizada porque se vê fisicamente ameaçada, alimentam seu ódio sem direção com o culto à violência exibida em telejornais, filmes ou com o disfarce cínico de "esporte" que vestem no tal MMA.

Nada do que fazem é aprovável, sequer justificável.

Mas não deixa de ser compreensível.