OPINIÃO
06/05/2014 10:26 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:28 -02

Quem mexeu no meu jornalismo?

Por muitos caminhos, mudamos nós e mudou o jornalismo. E não foi pouco. Mais confortável ficar num ambiente bem conhecido, em vez de cair pra onde não sabemos as regras. Isso explica muita coisa no jornalismo, se formos olhar bem.

Divulgação

Lá se vão quase 15 anos desde o fim da faculdade de jornalismo. Tinham acabado com as máquinas de escrever na redação da faculdade Cásper Líbero no ano anterior ao que entramos, que foi 1998. Por pouco não pegamos a aula de taquigrafia. Mas ainda fui um dos últimos a entrar no jornalismo como muitos de nós entrávamos então: pela porta do telemarketing. Hoje, as redes sociais são o telemarketing 2.0 pra onde vão os estagiários de comunicação.

A época em que estive na graduação de jornalismo, entre 98 e 2001 (depois de um breve período na Fatec, fazendo mecatrônica), foi um tempo interessante: o começo da web gráfica no Brasil, o UOL como provedor de acesso (meu primeiro email foi do uol), o estouro da primeira bolha da internet. Na época, o fetiche era o new journalism, e todo mundo queria ser o Truman Capote, o Gay Talese. Tivemos alguns grandes professores, um deles Marcos Faerman, apaixonado por literatura e jornalismo, editor do jornal experimental Esquinas de São Paulo. Aloysio Biondi, grande jornalista econômico que denunciava a privatização e ensinava a ler jornal: "procurem a notícia que está escondida aí em algum lugar. Claro que não é no título". Isso pra citar apenas os que já se foram.

Mas, bem, por muitos caminhos, mudamos nós e mudou o jornalismo. E não foi pouco. E toda mudança gera angústia e medo, o que é natural. Mais confortável ficar num ambiente bem conhecido, em vez de cair pra onde não sabemos as regras. Isso explica muita coisa no jornalismo, se formos olhar bem.

O jornalista Caio Tulio Costa publicou um belo estudo numa revista de jornalismo da ESPM, disponível na íntegra no Observatório da Imprensa, sobre novos modelos de negócio para o jornalismo digital. É uma espécie de continuação de outro estudo, que fala num jornalismo pós-industrial. Ambos apontam mudanças fundamentais que demoram a ser entendidas por aqui. Ainda tem muita gente acreditando que o melhor jornalismo é o bom e velho jornalismo. E é aí que chegamos ao papo desta quarta-feira, dia 07 de maio.

Pela primeira vez, cinco grandes faculdades de jornalismo de São Paulo se juntam para tentar imaginar o futuro da profissão, das universidades, dos jornalistas.

O debate "Quem mexeu no meu jornalismo?" é uma iniciativa de professores da Escola de Comunicações e Artes da USP, da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), da Faculdade Cásper Líbero, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e da Universidade Presbiteriana Mackenzie em parceria com a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji).

O evento irá discutir o que está ocorrendo com o jornalismo, como ele pode ser daqui em diante, para onde vai a profissão, quando isso tudo deve acontecer, para quem o jornalista irá trabalhar - inclusive se quiser demitir seus chefes - e por que debates como esse são úteis.

"Quem mexeu no meu jornalismo?" poderá ser visto em tempo real pela internet e as perguntas vinculadas à hashtag #jornalismo5 serão incluídas no debate.

Se você for estudante de jornalismo, acho que pode ser uma boa você aparecer. Se você for um jornalista pensando em trabalhar num modelo digital do século 21, também pode ser uma boa. Não é um debate pra ficar de #mimimi. É uma reunião pra gente contar o que tem feito, o que tem visto, e as oportunidades que estão à solta.

Programação:

Mediador: Guilherme Alpendre, diretor-executivo da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji)

ABERTURA

Carlos Costa (Casper Líbero) e Maria Elisabete Antonioli (ESPM)

Mesa 1

#financiamento

É possível viver de jornalismo?

Como financiar a produção e circulação de notícias

- André Deak, Casa de Cultura Digital, Liquid Media Laab e professor da ESPM;

- André Santoro, professor do Mackenzie;

- Leonardo Sakamoto, Repórter Brasil, UOL e professor da PUC-SP;

- Natália Viana, Agência Pública.

Mesa 2

#narrativas

O jornalista morreu?

O deslocamento da atividade jornalística em uma realidade pós-industrial

- Bob Fernandes, TV Gazeta e Terra Magazine ;

- Elizabeth Saad, professora da ECA-USP;

- José Roberto Toledo, Estado de S.Paulo e Rede TV;

- Renato Rovai, Revista Fórum e professor da Fundação Cásper Líbero.

Serviço:

Local: Auditório da Fundação Cásper Líbero: Avenida Paulista, 900

Data: Dia 7 de maio, quarta-feira, das 19h às 21h30

O evento é gratuito e a entrada se dará por ordem de chegada até a lotação do auditório.

No face: https://www.facebook.com/events/376522879152683/?fref=ts