OPINIÃO
11/01/2016 01:20 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:34 -02

Conheça 60 casos de narrativas inovadoras do jornalismo

São casos de narrativas híbridas, que mesclam às vezes até mesmo outros campos menos associados ao jornalismo, como a arte, ou games, antropologia e exposições multimídia. As fronteiras entre o jornalismo e outros campos ficam menos nítidas, não apenas no formato, mas no conteúdo e na sua produção e apresentação.

O jornalismo tem buscado novas formas para contar histórias, novas experiências que possam ajudar a financiar de outras maneiras uma profissão impactada pela avalanche digital. Como coordenador da área de pesquisa em novas linguagens do ESPM Media Lab, realizamos eu e o diretor do Lab, Vinícius Andrade Pereira, um esforço para sistematizar mais de 60 casos em que linguagens ou produtos inovadores foram realizados. Um terço deste mapeamento são de experiências brasileiras.

Procuramos pelo menos 10 casos de produtos que foram considerados um sucesso pelos realizadores, sejam porque realmente trouxeram resultados comerciais, seja porque abriram outras frentes de negócios ou mesmo deram visibilidade para os realizadores. Nem sempre uma inovação consegue medir seu sucesso pelo dinheiro que arrecada imediatamente, por isso esta é uma avaliação bastante subjetiva, que considera principalmente a opinião dos produtores ou o impacto gerado no campo do jornalismo a partir daquele produto.

Aqui temos casos como o Estúdio Fluxo e a Agência Pública, que têm conseguido, através de financiamentos de fundações e também prestação de serviços (no caso do Fluxo), manter uma receita capaz de sustentar seus criadores e colaboradores. Mas também o TAB, do UOL, que criou uma nova linguagem jornalística como demanda do departamento de marketing, como um produto diferenciado para um mercado saturado com formatos similares.

Além destes, selecionamos mais de 50 casos de narrativas híbridas, que mesclam às vezes até mesmo outros campos menos associados ao jornalismo, como a arte, ou games, antropologia e exposições multimídia.

As fronteiras entre o jornalismo e outros campos ficam menos nítidas, não apenas no formato, mas no conteúdo e na sua produção e apresentação.

A publicidade também tem pontos de convergência com o jornalismo, quando busca alternativas no chamado branded content, conteúdo de qualidade patrocinado por marcas, e no storytelling, que nada mais é do que a narrativa bem contada que o jornalismo também persegue.

Também tem sido comum algumas ONGs buscarem narrativas envolventes para trazer histórias ao público, com mais inovação do que as redações tradicionais tem sido capazes de produzir. É o caso de algumas experiências da Repórter Brasil, sobre trabalho escravo (Mapa online Moendo Gente) ou as relações de poder político e econômico (Eles Mandam), mas também do Greenpeace, com um especial apresentado no Festival de Glastonbury sobre os 30 ativistas presos na Rússia.

Veja no site das pequisas da ESPM a análise das 60 narrativas.

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