OPINIÃO
06/07/2015 18:23 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:38 -02

Toda educação é política

Todo projeto político-pedagógico de qualquer escola é permeado por uma visão de mundo e, portanto, por uma escolha política que privilegia um determinado conjunto de saberes, que necessariamente expressa um determinado conjunto de crenças e valores.

Zaw Lin Htoo/500px
A traditional classroom in Myanmar - complete with blackboards.

Não foi Paulo Freire quem inventou que a educação tem que ser ideológica. Não é ele quem prega que a educação tem que ser política. Ele simplesmente constatou que não há neutralidade na educação, e que toda prática de ensino, mas principalmente aquela que se diz neutra, é necessariamente carregada de ideologia.

Todo projeto político-pedagógico de qualquer escola é permeado por uma visão de mundo e, portanto, por uma escolha política que privilegia um determinado conjunto de saberes, que necessariamente expressa um determinado conjunto de crenças e valores.

Quando a escola é democrática, os gestores, os professores, os alunos e as suas famílias participam ativamente da redação e da revisão do projeto político-pedagógico. Que formação queremos para os nossos filhos? A comunidade escolar é que decide.

Mas quando a gestão da escola é autoritária, esse documento é redigido unicamente pelos chamados especialistas, que sob o discurso da neutralidade técnica, acabam impondo os seus próprios valores.

A questão dos condicionamentos ideológicos na educação é tema de um subcapítulo próprio do livro. Mas este e o próximo post vão falar sobre como a gente pode começar a lidar com isso a partir da perspectiva democrática de Paulo Freire.

Confira mais no vídeo:

A série de vídeos Pedagogia da Autonomia vai explicar didaticamente os princípios da pedagogia freireana. Para acompanhar os vídeos, inscreva-se no meu canal no YouTube ou favorite este blog para receber as notificações.

Confira o primeiro vídeo da série Pedagogia da Autonomia, de Paulo Freire