OPINIÃO
29/06/2015 15:06 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:34 -02

Série de vídeos explica Pedagogia da Autonomia, de Paulo Freire

No Brasil, Paulo Freire é endeusado por alguns, xingado por outros, mas na prática a sua obra é pouco estudada, mesmo em cursos de licenciatura. Ao contrário do que muitos que não o conhecem imaginam, suas ideias não estão presentes na ampla maioria das escolas brasileiras, que ainda adotam métodos autoritários, desconectados da realidade dos alunos e contrários ao que Freire propunha.

No Brasil, Paulo Freire é endeusado por alguns, xingado por outros, mas na prática a sua obra é pouco estudada, mesmo em cursos de licenciatura. Ao contrário do que muitos que não o conhecem imaginam, suas ideias não estão presentes na ampla maioria das escolas brasileiras, que ainda adotam métodos autoritários, desconectados da realidade dos alunos e contrários ao que Freire propunha.

Nos Estados Unidos e na Europa, a pedagogia freireana é influente nas faculdades de Educação e em institutos de pesquisa em Harvard, Stanford, Princeton, M.I.T, Yale, Cambridge, para citar algumas instituições entre as melhores do mundo. É fácil verificar isso. Basta buscar no Google "Paulo Freire" site:princeton.edu por exemplo, para observar as centenas de referências ao educador brasileiro na bibliografia de disciplinas, em seminários, relatórios de pesquisa e eventos acadêmicos nas páginas situadas no domínio destas instituições.

Nos Estados Unidos, iniciativas recentes como a Paulo Freire Freedom School, universidade localizada no Arizona, e a Paulo Freire Charter School, em Nova Jersey, indicam a influência da pedagogia freireana em instituições empenhadas em uma educação que inspire os alunos a relacionar os conhecimentos com o mundo e a participar mais ativamente de suas comunidades.

Influência internacional

Uma consulta no Google Acadêmico - a ferramenta que pesquisa teses, dissertações, artigos publicados em periódicos científicos e papers apresentados em congressos - também indica a relevância acadêmica de Paulo Freire na pesquisa internacional. E por outro lado, revela também a pequena quantidade de estudos sobre a sua obra no Brasil.

Uma busca pelo termo "Pedagogy Of Oppressed", por exemplo, registra mais de 48 mil trabalhos científicos em língua inglesa que citam a edição mais recente do livro, publicado em 2000, pela Bloomsbury Publishing. Em espanhol, o termo "Pedagogia del oprimido" lista mais de 20 mil citações ao livro em trabalhos acadêmicos. Em português, na busca pelo termo "Pedagogia do Oprimido", se juntarmos as referências a todas as edições do livro, as citações somadas não chegam a 250. Isso mesmo: o Google Acadêmico lista menos de duzentos e cinquenta trabalhos acadêmicos em português que mencionam o principal livro do educador brasileiro, que é estudado no mundo inteiro.

Pedagogia da Autonomia

Para contribuir na introdução ao pensamento pedagógico de Paulo Freire, pensando sobretudo nas atuais gerações de estudantes, jovens professores e também no público interessado em discutir questões de educação com seriedade, decidi produzir uma série de vídeos para explicar didaticamente cada um dos capítulos e subcapítulos de Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa, seu último livro, publicado em 1996.

Considero este livro o caminho mais acessível para conhecer um conjunto relevante de reflexões que Freire registrou sobre a sua pedagogia. E o objetivo de produzir vídeos curtos é estimular um debate pontual e mais produtivo sobre os princípios que Freire realmente discute em sua obra.

A partir de hoje, os vídeos serão publicados semanalmente neste blog do Brasil Post.

Para acompanhar a série completa, recomendo amplamente que você crie uma conta no Brasil Post e favorite este blog para ser notificado por e-mail quando houver novas publicações.

E estou torcendo aqui para que todos aqueles verdadeiramente preocupados com a educação no Brasil se sintam curiosos e decidam conhecer primeiro o pensamento de Paulo Freire para poder formular as suas próprias interpretações com mais fundamentos.

Contra os preconceitos, vamos partir para a educação!