OPINIÃO
15/12/2017 15:21 -02 | Atualizado 15/12/2017 15:21 -02

Por que o autoritarismo de professores é sinal de incompetência

Para constituir um espaço pedagógico estimulante e significativo, é indispensável criar um clima de respeito mútuo.

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Nem os professores negligentes, que abdicam de suas responsabilidades, nem os autoritários, que sentem um prazer secreto em intimidar, constranger e humilhar os alunos, conseguem educar com excelência.

É impossível construir uma relação saudável entre professor e alunos quando os pensamentos, as ações e os objetivos daquele encontro pedagógico são mesquinhos.

Tanto a arrogância com que muitos professores e alunos se julgam um ao outro, quanto a complacência com que se julgam a si mesmos, ambos são comportamentos antiéticos que frequentemente evoluem para práticas educativas desleixadas ou autoritárias.

Para constituir um espaço pedagógico estimulante e significativo, é indispensável criar um clima de respeito mútuo. Este só nasce de relações justas, francas, equilibradas e generosas, em que tanto a autoridade do professor quanto as liberdades dos alunos se assumam criticamente.

Alguns dizem que o poder corrompe, outros dizem que o poder apenas revela o caráter das pessoas. Esse é um problema ainda não muito bem resolvido. Mas Paulo Freire deixa claro que professores que passam a experimentar aquele "gozo irrefreável e desmedido pelo poder" perdem completamente as condições de educar.

E o raciocínio de Paulo Freire é dialético: tanto os negligentes, que não se mostram interessados em exercitar a legítima autoridade para coordenar uma sala de aula, quanto os autoritários, que sentem um prazer secreto em intimidar, constranger e humilhar, não conseguem educar.

Deste modo, o mandonismo, esse autoritarismo arcaico de quem tem mais prazer em desfrutar de sua posição de poder do que de liderar, desafiar a inteligência e, enfim, educar as crianças e jovens arruína o espírito aventureiro dos alunos na sua busca aberta, inquieta e permanente por aprendizagem. Além de impor obstáculos à criatividade, em vez de estimulá-la.

A mesma coisa poderíamos dizer de pais e alunos que destratam os educadores. Famílias e poder público devem honrar os trabalhadores da educação com respeito e a dignidade. Estas são condições indispensáveis para criar um ambiente em que professores e professoras se sintam seguros e tenham condições de aprender e ensinar com excelência.

É por isso que a luta em defesa dos educadores é uma ação decisiva para a qualidade da educação de crianças e jovens. Para combater práticas negligentes ou autoritárias, garantindo uma experiência educativa fundada na generosidade, é indispensável investir em formação docente continuada.

Assim, se conseguirá assegurar trajetórias profissionais estimulantes e desenvolver as competências científicas e pedagógicas indispensáveis que sustentam a segurança profissional dos professores e professoras comprometidos com a educação.

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