OPINIÃO
16/01/2018 23:05 -02 | Atualizado 16/01/2018 23:07 -02

10 princípios para lidar com as redes sociais nas eleições de 2018

Uma tempestade de bestialidade está prestes a desabar sobre a nossa imaginação política...

Getty Images/iStockphoto
As redes sociais serão palco de debates quentes na campanha eleitoral de 2018.

A campanha eleitoral de 2018 promete! Fake news, fazendas de likes, robôs e trolls replicando difamações nas redes sociais, propagandas personalizadas que direcionam diferentes discursos do mesmo candidato de acordo com as preferências individuais do eleitor, partidários histéricos se mobilizando em bullying virtual, amizades antigas desabando em avalanches de mágoa... Se na eleição passada dizia-se que candidatos podiam fazer o diabo, neste ano parece que a meta é arquitetar os labirintos do inferno!

Não sei nem o que aconselhar a mim mesmo. Mas decidi me empenhar para agir de acordo com alguns princípios que acabei de formular para guiar a minha própria travessia.

Não é uma regra geral, não tem nenhum caráter científico e certamente me esqueci de muitas outras coisas importantes. O objetivo de compartilhar este decálogo pessoal é apenas recordar que uma tempestade de bestialidade está prestes desabar sobre a nossa imaginação política e que cada um de nós deve refletir sobre a melhor maneira de lidar com isso.

O debate cívico é uma atividade indispensável para o fortalecimento da democracia. Acredito que cada um deveria fazer a sua parte para que este momento precioso de formulação e de escolha de um projeto de longo prazo para o país não seja consumido pelo ódio e substituído pelo tumulto irracional de uma briga de torcida.

10 princípios pessoais para lidar com as redes sociais na campanha eleitoral de 2018

1) Não provocar e nem mesmo me aproximar de ambientes contaminados por surtos de trocas de ofensas raivosas, sejam elas sessões de comentários de sites de notícias ou mesmo posts de amigos, colegas, conhecidos ou desconhecidos. Quando o ambiente for saudável, se eu decidir comentar, serei gentil e ponderado;

2) Jamais responder às ofensas em meu próprio perfil nas redes sociais. Mas em vez de oferecer a outra face, bloquearei na primeira manifestação de agressividade histérica, seja quem for;

3) Desativar, durante a campanha, por precaução extra, a possibilidade de comentários de desconhecidos nos posts abertos de meu perfil pessoal;

4) Manter o distanciamento crítico e desconfiar de TODAS as notícias, memes, gifs, postagens, comentários, correntes de WhatsApp e propagandas de qualquer candidato que aparecerem no meu feed. Ignorar imediatamente conteúdos suspeitos de sites ou blogs desconhecidos. Denunciar qualquer conteúdo visivelmente esdrúxulo e meramente difamatório;

5) Pensar no mínimo três vezes antes de interagir com as informações nas redes sociais. Jamais compartilhar, comentar ou mesmo curtir a notícia apenas a partir da leitura do título, sem antes clicar no link e ler o texto completo. Antes de postar uma opinião, verificar a notícia em outros sites, de preferência de linha editorial diferente, ou fazer as seguintes reflexões: Preciso mesmo compartilhar isso? Eu não deveria estar estudando ou trabalhando?;

6) Não cair na tentação de desperdiçar tempo submergindo até o fundo do poço nas seções de comentários em sites de notícias, blogs ou posts em redes sociais. Além dos trolls, essas opiniões não são estatisticamente representativas e, portanto, não contribuem sequer para a compreensão da opinião pública;

7) Não cair na armadilha da obsessão da campanha eleitoral e ficar preso várias horas do dia em frente ao notebook (ou smartphone) para defender um candidato, atacar os adversários e acompanhar as reações aos próprios posts por meio da verificação maníaco-compulsiva das notificações;

8) Não deixar de ler, curtir, compartilhar e comentar sobre outros temas distantes das eleições, mas igualmente interessantes ou importantes para a visão ampla de mundo;

9) Quando mencionar temas políticos no meu perfil nas redes sociais, vou me empenhar para refletir sobre o conteúdo das propostas, dos programas políticos e dos projetos para o País.

10) Usar menos redes sociais e privilegiar conversas presenciais sobre política, em ambientes e circunstâncias adequadas, em clima de curiosidade e respeito pelas interpretações e preferências ideológicas do outro.

Não sei se isso vai me ajudar. Tampouco estou certo de que isso pode contribuir para melhorar o nosso ambiente político.

Mas desconfio que são precauções básicas para manter aquele mínimo de compostura necessária para me concentrar nos temas essenciais, fundamentar melhor as minhas próprias escolhas e participar do debate cívico de forma mais proveitosa.

Além de não envenenar ainda mais um ambiente já tão degradado e poluído.

Veja também: Dá para discutir sem xingar? (Vídeo)

*Este artigo é de autoria de colaboradores ou articulistas do HuffPost Brasil e não representa ideias ou opiniões do veículo. Mundialmente, o HuffPost oferece espaço para vozes diversas da esfera pública, garantindo assim a pluralidade do debate na sociedade.

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