OPINIÃO
10/11/2018 17:29 -02 | Atualizado 10/11/2018 19:40 -02

5 discos horrorosos feitos por artistas incríveis

Uma breve seleção de álbuns que nunca deveriam ter saído do papel.

Alanis Morissette e Chris Cornell estão entre os bons artistas que já derraparam feio na carreira.
Montagem/Divulgação
Alanis Morissette e Chris Cornell estão entre os bons artistas que já derraparam feio na carreira.

Sabe aquele artista que você gosta muito e que decide, $em motivo aparente, mudar seu estilo de música e 'diversificar' seu repertório? Mudar é bom claro, mas nem sempre o resultado sai como esperado, para não dizer catastrófico.

1. Scream (2009)
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A capa até engana, fazendo referência ao clássico álbum London Calling", do The Clash, mas o conteúdo de Scream, terceiro disco solo de Chirs Cornell - morto em maio de 2017 -, passa longe do estilo que o consagrou e o resultado é de chorar.

Produzido por Timbaland, caça-níqueis que nas horas vagas é produtor - Scream não é decepcionante pelo fato de ter sido produzido por um cara que está acostumado a trabalhar com rappers, artistas de R&B e pop, mas sim por falhar no quesito que mais admirava em Cornell: a criatividade.

Quando você ouve o álbum é nítida a impressão de já ter passado por aquelas "batidas" em trabalhos de Justin Timberlake, por exemplo. O disco manchou a carreira de Cornell de tal maneira que ele fez o óbvio: voltou com o Soundgarden. Como diz o ditado: há males que vêm para o bem.

Decepcione-se com o single Part of me:

2. 0304 (2003)

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"Quero ser diva". Algumas cantoras colocam essa frase na cabeça e resolvem mudar radicalmente seu estilo musical. Foi o que aconteceu com Jewel. Depois de álbuns de sucesso considerável, ela resolveu fazer um disco totalmente dançante e... péssimo.

Digamos que a cantora tentou o caminho que Shakira trilhou depois do álbum Pies Descalsos, sem sucesso, já que o perfil da cantora norte-americana não combina com nenhuma das faixas do disco. Mas, como sempre acontece, ela se arrependeu e voltou ao 'folkzinho' bom de sempre. Ainda bem.

Veja abaixo o clipe de Intuition. A voz de Jewel é a mesma. Já a música...

3. Flavors of Entanglement (2008)

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Ela mandou o ex-namorado pastar (e fez várias músicas pra detoná-lo). Depois disso, passou uma temporada na Índia e voltou introspectiva (e fez um álbum bacaninha com essa experiência). Até Deus ela foi – no filme Dogma, de Kevin Smith.

Aí veio o ano de 2008 e Alanis Morissette resolveu jogar a reputação de "menina rebelde" no lixo e produziu um álbum "diferente".

Não que as pessoas e suas músicas não possam evoluir, mas Flavors of Entanglement – produzido por Guy Sigsworth (que já tinha trabalhado com Björk e Madonna)- não mostra evolução.

Alanis perdeu sua essência num disco chato e com batidas eletrônicas insuportáveis. Há um ou outro respiro neste trabalho, mas que não são capazes de apagar a pequena lambança na sua bela discografia.

Confira o estrago em Straitjacket:

4. Pop (1997)

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Este é um clássico álbum "ame ou deixe-o". Pop foi a incursão mais forte do U2 na música eletrônica, fase iniciada nos trabalhos anteriores Achtung Baby (1991) e Zooropa (1993).

Os fãs mais "radicais" não acreditavam no que estavam ouvindo. Afinal, que sonoridade era essa, tão diferente da que a banda havia apresentado em Boy (1980), October (1981) e War (1983), clássicos absolutos do rock com engajamento. Sem contar a fase de The Unforgettable Fire (1984), The Joshua Tree (1987) e Rattle and Hum (1988).

Mas a vontade de The Edge (guitarra, vocais e teclado) e Bono Vox (vocais) prevaleceu sobre Adam Clayton (baixo) e Larry Mullen Jr. (bateria) e o resultado foi um álbum controverso, que contava com faixas como Discoteque, que gerou o vídeo contrangedor abaixo com cenas à la Village People abaixo.

O resultado dessa empreitada? A volta ao bom e velho rock no álbum seguinte, All That You Can't Leave Behind, lançado em 2000.

5. St. Anger (2003)

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Sim, vou falar mal da minha banda preferida, o Metallica. O quarteto é conhecido por mudanças de sonoridade ao longo dos anos - especialmente na fase Black Album e Load/Reload. Isso não libera o disco St. Anger de ser considerado o pior trabalho da banda.

Fruto de uma "terapia em grupo" (veja o documentário Some Kind of Monster e entenderá do que estou falando), o disco foi duramente criticado por fãs e imprensa por sua sonoridade, digamos, "diferente".

Ausência de solos, bateria soando como uma lata de goiabada, James Hetfield em reabilitação, ausência de um baixista (Jason Newsted saiu pouco antes da primeira seção de ensaios e o produtor Bob Rock foi escalado para a tarefa) e letras compostas em grupo (algo incomum na banda) foram alguns dos problemas enfrentados pelos caras durante a construção do disco - o que resultou em um trabalho para lá de controverso.

Prepare-se para ouvir abaixo a pior música já composta pelo Metallica, a constrangedora Invisible Kid.

*Este artigo é de autoria de colaboradores ou articulistas do HuffPost Brasil e não representa ideias ou opiniões do veículo. Mundialmente, o HuffPost oferece espaço para vozes diversas da esfera pública, garantindo assim a pluralidade do debate na sociedade.