OPINIÃO
16/11/2014 19:55 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02

"O naturismo é um filão para o mercado de turismo"

Camila Uchoa

Janeiro de 2000. O então Prefeito do Rio de Janeiro, Luiz Paulo Conde, e o secretário de Segurança Pública do Estado, Josias Quintal, anunciam a liberação do topless nas praias cariocas e a criação de áreas para a prática do Naturismo. A medida, que foi notícia em todos os jornais na época e causou repercussão positiva entre os turistas que não paravam de encher os cofres da cidade, não passou, no entanto, de um "amor de verão". O decreto nunca chegou a ser publicado no Diário Oficial e depois de alguns meses já havia sido esquecido.

Mais de uma década depois, o prefeito Eduardo Paes decide sancionar projeto de lei da vereadora Laura Carneiro, garantindo a prática do naturismo na pequena Praia do Abricó, no Recreio dos Bandeirantes. E abre, com isso, o debate para que a liberação do topless venha em seguida.

O cenário para a abertura não poderia ser mais pitoresco. O anúncio do projeto dividiu as páginas dos jornais com notícias de mulheres que resolveram partir para uma espécie de maratona naturista pelas ruas de Porto Alegre, como forma de protestar contra o Governo.

No entanto, a decisão na Cidade Maravilhosa está longe de ter a mesma motivação ideológica das moças que correm peladas pela capital e arredores do Rio Grande do Sul.

Cidades do mundo inteiro, mesmo as mais católicas, perceberam que o naturismo é um filão para o mercado de turismo. Além de ter uma legião de adeptos, causa boa impressão mesmo junto aos que não o praticam. E nesse aspecto, o Rio, que exportou o fio-dental e ícones da liberdade feminina, como a atriz Leila Diniz, se mostrava totalmente atrasado, às vésperas de sediar os Jogos Olímpicos.

Para se ter uma ideia, as partidas da Copa do Mundo no Brasil que foram realizadas no Rio ajudaram a aumentar o número de estrangeiros em Abricó. Na ocasião, o presidente da Anabricó (Associação Naturista da Praia do Abricó), Pedro Ribeiro, contou que a quantidade de frequentadores que circulavam do jeito que vieram ao mundo mais do que dobrou no mês de junho.

Em 2000, a pseudo-liberação do topless e de áreas de naturismo foram a solução que o Governador Antony Garotinho e Conde encontraram para proteger a imagem e o bolso da Cidade Maravilhosa. Na época, mais de 2 milhões de estrangeiros desembarcaram na cidade. E a grande maioria se mostrou totalmente favorável às medidas e indignados com a truculência policial aos praticantes. A repercussão foi tão positiva que o governo da Bahia aproveitou a oportunidade para tirar uma casquinha do episódio, publicando nos principais jornais do País um anúncio de meia página onde aparecia uma índia seminua com o dizer "Topless na Bahia pode desde 1500."

Resta agora esperar para ver como será a postura da Câmara Municipal e de Paes em relação ao topless. De qualquer forma, assim como no caso de Conde e Garotinho, as cifras deverão pesar na decisão. Só esperamos que, dessa vez, não passe de mais um flerte da alta estação.

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