OPINIÃO
30/03/2016 12:51 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:53 -02

A criatividade e a coragem das crianças da AACD

A inocência, a sagacidade, o questionamento e a vontade de fazer parte de um mundo distante fazem brilhar os olhos de cada uma dessas criaturinhas e transforma esses encontros em uma rica experiência. Para eles e para mim enquanto profissional. Mas acima de tudo como Analú.

Comecei como atriz nos anos 80 e sou contadora de histórias há 15 anos. Mas ainda hoje continuo me surpreendendo a cada narração ou nova história que surge em meu caminho. Mexer com a imaginação de crianças é uma responsabilidade grande e um prazer enorme.

A inocência, a sagacidade, o questionamento e a vontade de fazer parte de um mundo distante fazem brilhar os olhos de cada uma dessas criaturinhas e transforma esses encontros em uma rica experiência. Para eles e para mim enquanto profissional. Mas acima de tudo como Analú.

Vou usar esse espaço para falar um pouco dessas experiências, indicar programações infantis, comentar histórias de fantasia e do nosso dia a dia. A aventura a seguir nasceu de um trabalho que fiz com crianças da AACD, em 2010. É um faz de conta que mistura contos, sonhos e vontades reais dos pequenos autores. Depois de passar um ano contando histórias semanalmente, começamos a brincar de criar histórias.

Com baralhos de imagens e referências das histórias que tinham ouvido eles foram se aventurando em suas próprias narrativas. Mesmo os que não conseguiam se expressar verbalmente. Através do corpo e de imagens que escolhiam conseguiam dar sua contribuição. Como a "princesa Lalá, da história a seguir, que diante da perspectiva de colocar fogo no rei, lembra-se da roca de fiar. Foi uma menina que deu esta ideia. Ela não se comunicava com as palavras, mas com o corpo. Aprendi a ouvi-la. Vale uma pausa para refletir:

"Era uma vez um rei que vivia num reino além do oceano. Ele sempre passeava pelos seus domínios em sua carruagem e guardava, escondida numa torre do seu palácio, uma roca de fiar. A mesma que tinha feito a Bela Adormecida dormir por 100 anos.

Para se chegar nesse reino, era preciso atravessar o oceano num barco mágico que remava sozinho.

Tudo era mágico ali. A princesa, a esposa do rei, tinha uma jarra mágica que fazia café sozinha. Era só dizer as palavras mágicas que a jarra se enchia instantaneamente e servia as pessoas. Todos gostavam de visitar a princesa par ver a jarra funcionar. Mas a princesa não era feliz. O rei a agredia e ela queria se ver livre dele. Ela foi consultar a bola de cristal para saber o que fazer. Na bola, surgiu a imagem de uma fogueira.

A princesa ficou apavorada, pois não teria coragem de colocar fogo no próprio marido. Sem saber o que fazer, pediu ajuda à fada Lalá, que lhe lembrou da roca mágica que ficava escondida na torre. A princesa adorou aquela solução. Levou o rei até a torre fingindo que queria lhe mostrar a vista da janela e espetou o dedo dele no fuso da roca. Assim, ele caiu em um sono profundo por 100 anos.

A fada Lalá deu ainda mais um presente para a princesa: enviou-lhe um balão. Na cesta do balão, veio um lindo príncipe. Os dois se casaram e ele deu para ela vestidos, sapatos. Levou ela para passear no shopping, no McDonalds e no cinema. Os dois passaram a lua de mel na praia."

O livro Era Uma Vez na AACD foi ilustrado por Paula Galasso e é resultado da marcante experiência vivida por pais, filhos, professores e funcionários da Associação durante as oficinas de narração de Ana Luísa Lacombe.