OPINIÃO
13/07/2018 11:59 -03 | Atualizado 13/07/2018 15:33 -03

A procrastinação é mais uma tentativa do seu cérebro de te enganar

Pode colocar a culpa em um fenômeno conhecido como "senso de urgência".

Getty Images/iStockphoto

Aqui está uma lista das coisas que eu fiz antes de escrever esse texto: chequei o meu email, atualizei o meu feed do Instagram, fiz um chá e dei uma lida em sites de notícias do dia. Parece familiar?

Algumas dessas tarefas eram mais ou menos urgentes, como responder algumas mensagens nas redes sociais, mas nenhuma delas era mais importante do que finalizar esse texto.

Para todas as pessoas que se identificam com esses padrões de procrastinação, calma, existe uma resposta e ela se chama "o fenômeno do efeito de urgência".

Na vida cotidiana, frequentemente as pessoas são confrontadas com escolhas entre tarefas de diferentes níveis de urgência e importância. Como elas decidem quais delas devem ser executadas primeiro?

De acordo com o estudo The Mere Urgency Effect, publicado em fevereiro, as pessoas tendem a optar por executar tarefas menores, mas com prazos mais urgentes, em vez de tarefas mais importantes, mas que não tem um prazo muito bem definido. Isso porque as tarefas mais importantes geralmente exigem mais trabalho, enquanto pequenas atividades da rotina envolvem recompensas mais imediatas.

"A pesquisa identifica o efeitodeurgência, uma tendência que temos em perseguir a urgência em detrimento da importância. Especificamente, os resultados de cinco experimentos que fizemos demonstram que as pessoas são mais propensas a realizar tarefas sem importância (isto é, tarefas com payoffs objetivamente mais baixos) em vez de tarefas importantes (isto é, tarefas com retornos objetivamente melhores)", explicam os pesquisadores em artigo publicado no jornal acadêmico de Oxford.

Ou seja, mesmo que a gente saiba que uma tarefa maior e menos urgente é muito mais importante, nós vamos escolher instintivamente realizar uma tarefa menor e com prazo mais curto.

Os efeitos da procrastinação podem gerar angústia e frustração, eu sei. Algumas pessoas até desenvolvem técnicas para se tornar mais produtivo.

Mas, para mim, a opção que mais fluiu é parar por um tempo e, realmente, fazer uma reflexão sobre o que é realmente importante ou não em minha rotina.

Como sugere o New York Times, aprendi que você também pode treinar o seu cérebro para isso.

Olha o exercício que o jornal sugere: Primeiro, categorize as tarefas entre "importantes" e "não importantes". Depois, filtre o que é importante e precisa ser realmente feito hoje. Aquilo que não for imediato, estabeleça um prazo para ser realizado.

O que não for tão importante, reflita se é realmente necessário. Caso seja, veja se não consegue pedir ajuda para outras pessoas com algumas dessas tarefas.

O seu modelo pode ser mais ou menos como esse:

AOL

Outra dica: Se você está tendo problemas em decidir o que é importante ou não, pense sobre isso. Reflita sobre o que é essencial em sua rotina, o que te faz bem e o que é necessário para que você alcance os seus objetivos.

Pode parecer confuso no ínicio, mas a partir do momento que as atividades começarem a ganhar sentido, você vai se sentir melhor.

Depois que você tiver mapeado as suas tarefas, não tenha medo de se sentir realizado a cada micro-progresso. Está liberado, sim, celebrar tanto as tarefas realizadas, quanto cada um dos momentos de ócio.

*Este artigo é de autoria de colaboradores ou articulistas do HuffPost Brasil e não representa ideias ou opiniões do veículo. Mundialmente, o HuffPost oferece espaço para vozes diversas da esfera pública, garantindo assim a pluralidade do debate na sociedade.