OPINIÃO
12/09/2018 18:39 -03 | Atualizado Há 22 minutos

Não sou adolescente, mas também estou apaixonada por Peter Kavinsky

Por que todos nós merecemos um amor bem levezinho em nossas vidas.

O filme original da Netflix Para Todos os Garotos que Já Amei se tornou um hit.
Divulgação/Netflix
O filme original da Netflix Para Todos os Garotos que Já Amei se tornou um hit.

Desde que foi lançado na Netflix em agosto não se fala em outra coisa nas redes sociais (ou pelo menos entre o meu grupo de amigas).

O filme original da Netflix Para Todos os Garotos que Já Ameise tornou um hit por diversas razões, a maioria delas óbvias: é uma comédia romântica mamão-com-açúcar no melhor estilo mainstream; tem como protagonista uma jovem coreana que mora nos Estados Unidos; abraça vários dos clichês adolescentes que nós mais gostamos e, de quebra, apresenta um tipo de masculinidade mais suave do que o público está acostumado.

Baseado em um livro young adult de mesmo nome, o filme conta a história de Lara Jean (Lana Condor) que ama escrever cartas de amor escondidas para seus antigos romances. Porém, ela não esperava que um dia essas cartas pudessem chegar até cada um deles.

Trata-se de uma produção claramente focada no público mais jovem, mas porque será que pessoas entre os seus 20 e poucos ou até 30 anos também estão respondendo com tanto entusiasmo à produção?

Pode até ser por conta do combo mainstream descrito acima, mas, mais do que um rostinho bonito, o fato é que Peter Kavinsky (Noah Centineo) parece ser capaz de trazer à tona uma espécie de "pureza" dos relacionamentos típicos dos primeiros amores que é capaz de tocar qualquer um.

A narrativa do romance construído entre ele e a protagonista é recheada de atenção aos detalhes, como o momento em que ele saí para comprar a bebida preferida dela (pode parecer simplista assim descrito no texto, mas duvido você não abrir um sorrisinho besta ao assistir a cena).

Divulgação/Netflix

E é aí que está o segredo dos romances adolescentes: talvez, a ingenuidade de acreditar 100% no amor, um pouco mais livre das disputas entre egos, com um pouco menos de cobrança no que tange a construção de uma persona 24h por dia interessante ou desejável e, em tempos de redes sociais, a confiança no relacionamento como algo real, e não apenas como mais um contatinho no vasto menu de perfis.

Uma boa comédia romântica mamão-com-açúcar também é capaz de fabricar uma espécie de nostalgia na gente. Ok, ok, a adolescência é uma fase em que tudo está meio confuso, são muitos hormônios, uma quantidade significativa de inseguranças e outro tanto de impulsividade. Mas filmes como Para Todos os Garotos que Já Amei ou, até mesmo, Com amor, Simon, por vezes, apresentam personagens que são como versões idealizadas de nós mesmos - ou do que imaginamos para o outro.

E é impossível não se deixar identificar. Eu faço parte daquela audiência que costuma assistir a uma dessas cenas e, simplesmente, se contorcer ou agarrar o primeiro travesseiro jogado na cama, com um misto de vergonha alheia, mas uma felicidade imensa por estar se deixando ~afetar~ por aqueles diálogos estranhos, mas emocionalmente honestos.

Acho que a definição de conforto poderia caber em uma descrição sobre o filme. E acho, ainda, que ele tem boas lições para a audiência mais jovem, desde o fato de ter uma protagonista asiática, até o fato de que fala de maneira aberta sobre como é importante lidarmos com os nossos sentimentos e o quanto não dá para vivermos apenas em nossa imaginação. Sim, requer muito mais coragem do que imaginamos para viver um amor.

Enquanto que para nós, também jovens, porém já um pouco mais adultos, fica o lembrete de como todos nós merecemos um amor assim bem levezinho.