OPINIÃO
09/02/2018 16:04 -02 | Atualizado 09/02/2018 16:04 -02

13 coisas sobre o Carnaval de Salvador que você só nota quando sai de lá

Uma lista sobre as expectativas versus realidade de uma baiana.

Conheça as curiosidades sobre o Carnaval de Salvador.
Caetano Barreira / Reuters
Conheça as curiosidades sobre o Carnaval de Salvador.

São alguns carnavais vividos em Salvador e outras tantas histórias que já me foram contadas sobre a festa. Do axé tradicional aos trios atuais super incrementados, ver o sol se pôr na Barra ao som da clássica guitarra baiana é de arrepiar a pele.

Porém, este ano quebrei a tradição. Por sorte, fui apresentada a um Carnaval diferente: O de São Paulo. Impossível não pensar em algumas curiosidades sobre essa experiência.

Acompanhar o movimento que começou tímido, e hoje é gigante, dos blocos de rua da capital paulista faz sentir enorme orgulho daqueles que colorem a selva de pedras de purpurina nem que seja por alguns dias e, literalmente, ocupam a própria cidade. Não existem cordas, abadás ou camarotes. É toda a gente junta e misturada com um único objetivo: Se divertir.

É lindo de ver as tradicionais avenidas lotadas de carri abrindo espaço para o povo passar. Povo esse que na rotina costuma deixar passar batido as belezas dessa cidade e a vida que existe nela.

Quanto mais eu me divertia observando as fantasias; me impressionava com a organização do transporte público (em Salvador é praticamente impossível chegar no circuito de metrô, por exemplo) e agradecia pelos drinks com a famosa catuaba; mais eu me lembrava que, afinal, o sentimento do Carnaval seja exatamente este: Renovar a fé em gente.

Escolha uma folia para chamar de sua, onde quer que você esteja, porque um só Carnaval é difícil demais para definir o Brasil. Mas deixe que essa folia te ajude a restituir a alegria na vida e que te traga aquela leveza de alma, afinal, é para isso que o Carnaval serve.

Enquanto isso, separei 13 motivos de por que a experiência em Salvador também precisa ser vivida.

Piriguete 3 por 5

Reprodução/Luciano Matos

Nunca nenhum slogan foi tão convicente na história deste País - e de todos os carnavais. Se você nasceu em Salvador, esta frase não é novidade. Mas para os "de fora" é melhor deixar claro: Estamos falando de cerveja. Uma latinha menorzinha que é a conta da felicidade para se manter bem gelada durante o percurso. E claro, são três latinhas por R$5 (se chorar, faz até quatro por R$5). Perfeito para dividir com os brothers.

Ponto de encontro no monumento 'As Meninas do Brasil'

Reprodução/Saltur

Resenha nas gordinhas. E não tem nada de pejorativo nisso. É que o melhor camarote do Carnaval baiano tem nome e endereço: monumento "As Meninas do Brasil", em Ondina. A praça é o ponto final de todos os trios elétricos que passam no circuito Barra-Ondina; logo, o melhor lugar para você esperar e reencontrar os amigos no fim do circuito. Depois do reencontro, é só andar até o farol da Barra e aí começa tudo novamente.

Príncipe Maluco da Tia Rosa

O shot da bebida custa cerca de R$2, e a receita é um segredo da casa. Trata-se de uma mistura de cachaça, vodka, catuaba, guaraná e melado em um só drink. Tá explicado por que a simpatia é open bar, né? Um clássico.

Os cortejos de afoxés

Lunae Parracho / Reuters

Olodum, Ilê Ayê ou Gandhy. Na Barra, no Campo Grande ou no Pelourinho. Esqueça a guitarra baiana e preste atenção no tambor, nas saias rodadas e na energia dessas pessoas. Impossível não se deixar contagiar.

Colares de conta dos filhos de Gandy

Caio Guatelli via Getty Images

Há quem diga que o amor não se compra. Mas no Carnaval de Salvador, às vezes, ele tem um preço tabelado: um colar de contas dos Filhos de Gandhy por um beijo. O tradicional adereço começou a ser usado como símbolo de proteção e paz quando o bloco de afoxé foi criado, mas hoje em dia há quem se dedique a montar coleções das cordinhas durante a folia.

O Furdunço abrindo alas para a folia

E o Carnaval só termina quando começar o São João. É o ciclo, fazer o quê?

As Muquiranas

Criado em 1965, o bloco As Muquiranas é o primeiro bloco de travestidos do Carnaval no Brasil e supertradicional na folia. O grupo se destaca pela criatividade nos adereços e fantasias - e é claro, pelas pistolas de água gelada que eles não economizam na hora de molhar os outros foliões.

Os encontros na esquina do Farol da Barra que abençoam os foliões

Tem Gil, Caetano, Daniela Mercury, Carlinhos Brown, Saulo, Luiz Caldas...

Beijos. Muitos. De todos os tipos.

Não recomendamos que se reproduza essa cena.

A melhor foliã: Ivete Sangalo curtindo o Carnaval na pipoca de Durval Lélis e de Saulo

Precisa dizer mais alguma coisa?!

Não tem jeito. Você vai querer pedir licença e gritar "olha o gelo" ou "olha o peso" para a galera abrir espaço

É muita gente em todos os ângulos.

O Navio Pirata

Prazer, Baiana System. Formado em 2009, o projeto musical da cena independente de Salvador ganhou notoriedade em 2016 com a faixa Playsom, do disco Duas Cidades. O movimento que começou no Pelourinho cresceu e ganhou fãs em todo o Brasil. Hoje, eles são responsáveis pelo Navio Pirata, um bloco sem cordas que recebe convidados em cima do trio durante o Carnaval.

Encontro dos trios na praça Castro Alves

"Que loucura essa mistura" talvez seja a frase que melhor define o encontro de trios, na Quarta-feira de Cinzas, que celebra o final do Carnaval. A praça do centro histórico dá espaço para os trios sem cordas e aos foliões só resta aproveitar os últimos minutos da festa para sentir na pele a lição mais importante do Carnaval de Salvador: não conseguir parar de dançar quando escutar um tambor, mesmo que o som esteja um pouco longe.

Axé!

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