OPINIÃO
27/11/2014 14:32 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02

Três filmes esquisitos do Japão

Selecionei trechos de três filmes dos anos 60, em preto e branco, dos quais muita gente nem nunca ouviu falar. A boa notícia é que eles podem ser vistos facilmente hoje na Internet, alguns com legendas em português. Vale ver, são ótimos.

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A esquisitice, todo mundo sabe, está espalhada pela cultura pop japonesa - basta dar uma boa olhada no, digamos, design dos monstros de dezenas de filmes B; nas narrativas de infinitos mangás; e, bem, no conjunto da obra quando se trata de erotismo e pornografia.

Só que sobra estranhamento também em obras literárias e filmes cheio de referências eruditas, questões sociais e concepções estéticas de primeira linha. Coisa de gente boa, séria & talentosa. E esquisita.

E isso faz tempo. Selecionei trechos de três filmes dos anos 60, em preto e branco, dos quais muita gente nem nunca ouviu falar. A boa notícia é que eles podem ser vistos facilmente hoje na Internet, alguns com legendas em português. Vale ver, são ótimos.

1. Secrets Behind the Wall (1965), Koji Wakamatsu

Sexo, bomba de Hiroshima e Stálin se misturam na abertura desse filme, que retrata a vida de famílias espremidas nos cubículos de um conjunto habitacional na periferia de Tóquio. Com óbvia influência da nouvelle vague, traz aquele mix político-existencial-de esquerda dos anos 60, acrescido do conhecimento que Wakamatsu tinha da pobreza e do submundo do crime no Japão. Se quiser mais estranheza, é só procurar por outros filmes do diretor.

2. Diário de um Ladrão de Shinjuku (1969), Nagisa Oshima

Anos antes de ficar famoso com O Império dos Sentidos (1976) e Furyo (1983), Nagisa Oshima labutou em filmes menos polêmicos. Este é outro com mix de esquisitices intelectuais da época. Não é um filme fácil. O título evoca o livro Diário de um Ladrão, de Jean Genet. É o francês quem abre o coro noturno de escritores na livraria onde um rapaz gosta de afanar livros - e onde ele conhece a garota de lábios bonitos da cena acima. Tem Stálin também.

3. A Mulher das Dunas (1964), Hiroshi Teshigahara

É o mais conhecido e, plasticamente, mais bonito dos três - vide o capricho com a luz e as tomadas. O silêncio da cena acima completa uma atmosfera que lembra o cinema de Andrei Tarkovski, e não por acaso o filme estava entre os dez preferidos do diretor russo. Aleluia, não tem Stálin. No filme, um entomologista cai na armadilha do povo de um vilarejo, que o quer ajudando uma mulher a evitar que a casa, no fundo de um buracão inescapável de areia, seja coberta pela mesma. E areia, como se vê, não falta.

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