OPINIÃO
09/04/2015 11:26 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:45 -02

A estranha atração de Moby Dick

Anos atrás, publiquei um texto sobre Moby Dick, o longo e muitas vezes estranho romance de Herman Melville, adorado e odiado em proporções cetáceas. Na ocasião, mencionei a quantidade infindável - e disparatadas - de interpretações já feitas sobre o livro. Mas é um fascínio que vai além das leituras acadêmicas e literárias: há esquisitices e invencionices de todo tipo em torno da obra. Selecionei três delas, à solta por aí.

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Anos atrás, publiquei na finada revista Bravo! um texto sobre Moby Dick, o longo e muitas vezes estranho romance de Herman Melville, adorado e odiado em proporções cetáceas. Na ocasião, mencionei a quantidade infindável - e disparatadas - de interpretações já feitas sobre o livro. Mas é um fascínio que vai além das leituras acadêmicas e literárias: há esquisitices e invencionices de todo tipo em torno da obra. Selecionei três delas, à solta por aí.

1. Em 1997, o matemático australiano Brendan McKay "extraiu" profecias de assassinatos de notáveis supostamente codificadas no texto de Moby Dick. Entre elas, as mortes de Indira Gandhi, Martin Luther King, Abraham Lincoln, Yitzhak Rabin e, claro, John Kennedy. Na verdade, queria demonstrar a moleza que era fazer essa "decodificação" em um texto caudaloso. A intenção era desacreditar o israelense Michel Drosnin, que havia lançado O Código da Bíblia, que apontava mil e uma profecias "ocultas" no texto bíblico. Tanto num caso como no outro, há claras malandragens.

O quadro acima, por exemplo, referente a Kennedy, foi construído a partir da junção de vários trechos do livro. Nele se encontram assinaladas as palavras "Kennedy", "shot", "head" e a expressão "had been so killed" (!). Pilantra.

2. Outro "código" Melville mais inocente foi providenciado pelo americano Fred Benenson, que em 2009 botou em funcionamento o crowdfunding e o crowdsourcing via web para bancar a tradução completa das 6.438 frases de Moby Dick em... emoji. A edição em preto-e-branco de Emoji Dick pode ser comprada por US$ 40; a em cores, com capa dura, por US$ 200. Abaixo, como fica o célebre início do romance.

3. Projetinho estatístico-maníaco do programador Adam Pearce, Whale Words é um sistema de busca que apresenta em um gráfico a frequência das palavras usadas por Melville ao longo do romance - a mais usada, claro, é WHALE (1082). No site, dá para ver também a distribuição das 512 ocorrências de AHAB - sumida no começo (como o personagem), quase onipresente no final (naturalmente). Ao clicar na barra vertical, o trecho correspondente é exibido. Outros nomes próprios: QUEEQUEG (248), STARBUCK (198) e PEQUOD (162). MOBY e DICK aparecem 82 vezes.

Mais? Tem Moby Dick traduzido em código de barras QR, transcrito em pôster e lido por 136 pessoas diferentes, uma para cada capítulo e epílogo. Este último até que é normalzinho.

Informações publicadas originalmente no blog Não me Culpem pelo Aspecto Sinistro.