OPINIÃO
29/01/2018 21:42 -02 | Atualizado 29/01/2018 21:42 -02

Comunidades virtuais e seu poder de mobilização

A tecnologia pode, sim, aproximar pessoas em prol do bem comum. A Campus Party é a prova disso.

A edição da Campus Party em Belo Horizonte, no fim de 2017, reuniu centenas de universitários.
Divulgação/Campus Party
A edição da Campus Party em Belo Horizonte, no fim de 2017, reuniu centenas de universitários.

Enquanto muito se discute sobre a fragilidade dos relacionamentos virtuais, eu fortaleço minha opinião de que a tecnologia pode aproximar as pessoas a favor de um bem comum. Há quatro anos, criei a Campuseros International Club para envolver e estimular estudantes brasileiros e de países como México, Colômbia, Equador, Costa Rica, El Salvador, Espanha, Alemanha, Itália, Holanda e Argentina a compartilharem seus conhecimentos.

As comunidades são as células que compõem e dão vida a esse organismo vivo que é a Campus Party, cuja 11ª edição em São Paulo começa nesta terça-feira (30). Não visamos ao lucro, não exigimos cadastro para participar do grupo e estamos sempre promovendo ações sociais.

No ano passado, durante a edição da Campus Party em Brasília, apoiamos a campanha #ElesPorElas (HeForShe), que mobiliza homens e meninos de todo o mundo para que se posicionem e adotem ações rumo ao alcance da igualdade de gênero.

Mobilizamos os campuseiros no Twitter para assinarem o manifesto online e, em nossos grupos do Facebook e do Telegram, incentivamos o debate sobre a necessidade de envolvimento em questões de igualdade de gênero na educação e no trabalho. Começando com uma conscientização inicial e chegando até uma argumentação sobre a necessidade de agir.

Organizamos campanhas do agasalho com a Cruz Vermelha e conseguimos promover ações de inclusão digital para indígenas na edição da Bahia, com a participação do ativista Taquari Pataxó no Fórum Universidades Empreendedoras.

O debate sobre inovação na educação, empreendedorismo social, educação empreendedora e práticas de desenvolvimento de centros de inovação gerou um memorando com soluções sugeridas pela Campus Party Bahia aos gestores públicos para a educação do futuro. Organizamos, ainda, um workshop de Língua Brasileira de Sinais (Libras) e recentemente nos tornamos parceiros do Projeto Tamar.

Todas essas iniciativas tiveram início em nossa comunidade, no ambiente virtual, entre pessoas que num primeiro momento não se conheciam. Portanto, afirmo que a tecnologia ajuda, sim, enquanto ferramenta de conexão, a construir relações, fechar parcerias com pessoas de diferentes áreas e que moram em outras localidades. E as comunidades virtuais, principalmente, vêm ganhando força nos últimos anos, como um canal de diálogo importante entre pessoas, empresas, eventos, fãs de marcas ou de celebridades.

Em meu trabalho com a Campus Party, me deparo com várias pessoas que se conhecem antes do evento por meio de um chat de comunidades, combinam de montar equipes de hackathon, se conhecem pessoalmente e constroem uma amizade.

Um menino que mora em Salvador, por exemplo, e cursa Ciência da Computação, se conecta a uma mulher que mora em São Paulo e já é pós-graduada em Design, à menina do interior de Minas Gerais que ainda está terminando o ensino médio, até o palestrante internacional especialista em blockchain. Essa variedade de formações dos participantes incentiva o surgimento de comunidades heterogêneas onde todos têm em comum o interesse por tecnologia, a vontade de aprender e o desejo de compartilhar as últimas tendências do mercado.

Como astrônoma amadora, em parceria com o For Women in Science, incentivo as mulheres a seguirem carreiras científicas, nas quais temos hoje apenas 30% de mulheres pesquisadoras. Passei a convidar as cientistas para a Campus Party, organizei conferências online para que elas interagissem com o público e recebi a ajuda de dois grandes parceiros nessas conferências, a Yara Souza, do canal Ciência em Pauta, e o Cristian Reis, do canal Ciência e Astronomia.

Meu papel como cidadã e profissional é extrapolar o conceito de comunidade, conectar pessoas e incentivar cada vez mais a formação de novas tribos, onde quer que elas estejam, desde que promovam o bem!

*Este artigo é de autoria de colaboradores ou articulistas do HuffPost Brasil e não representa ideias ou opiniões do veículo. Mundialmente, o HuffPost oferece espaço para vozes diversas da esfera pública, garantindo assim a pluralidade do debate na sociedade.