OPINIÃO
14/05/2015 19:50 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:12 -02

Vale a pena ver de novo? A reprise da novela de amor entre políticos e empreiteiros

reprodução

Eu sou um historiador disfarçado de economista.

Conhecer a História nos deixa menos propícios ao risco de ser enganado por contos do vigário.

A história da carochinha do momento, disfarçada de pergunta, é: "a corrupção começou na época de FHC ou na época de Lula?".

Outra conversa pra boi dormir que ouvi de amigos de esquerda: "as empreiteiras não fizeram nada de errado, esse juiz Moro quer acabar com o PT e com o Brasil".

Jornais são tratados de História e jornalistas são historiadores dos fatos presentes.

Lendo jornais antigos me deparei com algumas notícias semi-novas (e certamente falsas e infames) sobre a gloriosa empreiteira nacional Odebrecht.

Vejamos.

Na edição de 9 de setembro de 1992 o jornal O Estado de S. Paulo trazia a reportagem intitulada "Diretor da Odebrecht será indiciado". Dizia o jornal que a Polícia Federal iria denunciar um diretor dessa empresa por "corrupção ativa", sob a acusação de "ter pago propina de US$ 30 mil ao ex-ministro do trabalho Antônio Rogério Magri".

Buscava-se também investigar os possíveis elos entre a Odebrecht e PC Farias, o ex-tesoureiro da campanha de Collor em 1989. Dizia o jornal que "estão em poder da PF notas fiscais emitidas pela EPC com valores recebidos da Odebrecht que chegam a US$ 1.7 milhão como pagamento pelos serviços de assessoria prestados por PC".

A EPC era uma empresa de PC Farias. Em 1996 o jornal anunciaria que "Odebrecht foi a maior pagadora do esquema PC", dizia-se que a "empreiteira pagou equivalente a mais de R$ 3 milhões à empresa de fachada EPC entre agosto e novembro de 1990, época em que realizou o maior volume de obras durante o governo Collor".

Em 1993, em plena CPI dos anões do Orçamento, novas denúncias (certamente falsas...) são apresentadas contra a Odebrecht. O jornal OESP trazia na sua edição de 5 de dezembro de 1993 a seguinte informação:

"três deputados que constam da lista da construtora Noberto Odebrecht com percentuais à frente de seus nomes, o que faz a CPI do Orçamento suspeitar de recebimento de propina... São os deputados do PMDB Jorge Tadeu Mudalen (SP) e Geddel Vieira Lima (BA) e do PFL, José Carlos Aleluia (BA)".

Poucos dias antes o presidente da empresa já tinha dita ao jornal que era vítima de um "complô da esquerda e do corporativismo".

Deveria haver, da fato, um complô. No mesmo jornal lia-se:

"documentos apreendidos ontem pelo deputado Aloízio Mercadante (PT-SP) ...na cada de um diretor da Odebrecht confirmaram que as empreiteiras operam em forma de cartel e mostram evidências e uma relação promíscua entre as construtoras e o Estado brasileiro. O esquema ...seria comandado pela Organização Odebrecht, funcionaria desde 1985 e garantiria a distribuição equitativa entre uma holding entre 12 empreiteiras..."

(O que será que Mercadante tem a dizer sobre isso hoje?)

E para finalizar, OESP do dia 7 de novembro de 1998 trazia a reportagem intitulada "Comissão votará financiamento público na quarta" onde se lia:

"três anos e cinco meses depois de iniciar suas atividades, a comissão especial do Senado que examina a reforma político-partidária vai finalmente concluir seus trabalhos, com a votação ...do parecer que propõe o financiamento público das campanhas eleitorais. O relator da reforma, Sérgio Machado (PSDB-CE) ...argumenta que a mudança vai resultar em economia para os cofres públicos, pois vai evitar que as campanhas recebam dinheiro de caixa dois...".

Já dizia Carlos Marques: a História se repete como farsa.

Essas reprises infinitas de uma mesma novela só causam tédio e enfado.

Quem conhece a história não cai em conto do vigário, nem entra em briga de navalha entre malandros.

PS - Todas as denúncias de ontem, hoje e sempre contra as empreiteiras - incluída aí a Odebrecht - e os políticos - e os citados e os não citados - se mostraram completamente falsas e inverídicas.

Todos foram (e sempre serão) absolvidos pelas mais altas cortes deste país.