OPINIÃO
07/04/2016 17:22 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:38 -02

Uma breve história da economia brasileira (1948-2018)

Desde os tempos de Adam Smith (1776), os economistas usam o produto per capita como uma medida para o grau de desenvolvimento de um país. Não é uma variável perfeita, mas excluindo-se os países produtores de petróleo e diamante, a relação entre PIB per capita e outras medidas de desenvolvimento, como o IDH, é quase de 1 para 1.

Desde os tempos de Adam Smith (1776), os economistas usam o produto per capita como uma medida para o grau de desenvolvimento de um país.

Não é uma variável perfeita, mas excluindo-se os países produtores de petróleo e diamante, a relação entre PIB per capita e outras medidas de desenvolvimento, como o IDH, é quase de 1 para 1.

O gráfico abaixo mostra a evolução do PIB per capita brasileiro entre 1948 (ano em que o IBGE começou o cálculo do produto brasileiro) e 2012 em mil dólares americanos.

Entre 1948 e 1981 o Brasil foi um dos países que mais cresceu no mundo, a uma média superior a 7% a.a., o que significava que o tamanho da economia brasileira dobrava a cada 10 anos.

E esse crescimento se refletiu na mudança no PIB per capita, o qual saiu de um valor de pouco mais de US$ 2 mil para US$ 8.3 mil no período.

Isso ocorreu em um tempo no qual a quantidade de "capitas" no Brasil passou de 49 para quase 122 milhões de habitantes.

O período de mais forte crescimento, entre 1967 e 1981, infelizmente, coincide com parte da ditadura militar (1964-1985)

Mas é também durante a ditadura que começa o calvário brasileiro.

Na historiografia econômica o termo "década perdida" se refere ao período entre 1981 e 1993, quando o PIB per capita do Brasil encolheu em termos absolutos. Em 1981 o PIB per capita era de US$ 8,3 mil, enquanto em 1993 ele caiu era de US$ 8,1.

Isso significa, de maneira simples e objetiva, que em 1993 estávamos mais pobres do que o éramos em 1981.

Durante esse período acreditava-se que os problemas do Brasil eram dois: dívida pública (interna e externa) e a inflação. Resolvidos esses problemas, voltaríamos a crescer.

Em 1994 foi implementado o Plano Real, e durante os anos FHC a questão da inflação foi resolvida. O IPCA que fora de incríveis 2.477,15% em 1993, passou para 22,41% em 1995, ficando abaixo de um dígito em 1996.

A questão do endividamento público não foi exatamente resolvida, mas foi equacionada. A dívida pública como fração do PIB mais que dobrou no período, passando de 21,5% em 1994 para 44,7% em 2002. Enquanto a dívida externa passou de 8,5% para 15,7%.

A carga tributária, também por conta disso, passou de 27,9% para 32,35% do PIB.

A solução daqueles problemas, porém, não significaram a volta do crescimento.

O desempenho de nossa economia durante os anos FHC (1995-2002) foi ridículo.

O PIB per capita que FHC recebeu ao final de 1994 foi US$ 8,42 mil, e o que ele entregou ao final de 2002 foi de US$ 8,81. Ou seja, oito anos de uma virtual estagnação.

Era a época do PIB em "voo de galinha". Se em um ano a economia crescia "bem", no outro era preciso puxar o freio de mão para evitar a volta da inflação.

Retomando, o PIB per capita saiu de US$ 8,32 mil em 1981 para US$ 8,81 em 2002. Foram mais de vinte anos de um país paralisado. Estacionado, vendo a banda passar, feito uma Carolina abestalhada na janela. Um exemplo: até meado dos anos o Brasil era mais rico que a Coreia do Sul. Hoje a Coreia é uma miragem de nosso futuro que nunca veio.

Durante o governo Lula (2003-2010) o Brasil ensaiou uma retomada do crescimento. Lula entregou o país com um PIB per capita de pouco mais US$ 11 mil. Um aumento de 20% em relação ao que recebera, enquanto no governo FHC o incremento foi de apenas 4,4%.

Foi a época do "espetáculo do crescimento", da "nova classe média", do apogeu do Lulismo.

Foi graças a esse período que Dilma foi eleita e reeleita. Mas o estoque de paciência dos eleitores acabou. E acabou muito por conta da piora da economia.

Dilma sonhou ser Geisel, mas acordou Figueiredo.

O desempenho da economia brasileira nos anos Dilma tem sido ridículo.

No primeiro mandato da Maria Antonieta das Gerais a taxa média de crescimento do PIB foi de 2,12% ao ano. Como a taxa média de crescimento da população do país foi de 0,93% ao ano no período, isso significa que o PIB per capita cresceu a uma taxa um pouco superior a 1% a.a.

Nesse ritmo, demorará pouco menos de 70 anos para o Brasil dobrar sua renda média. Isso significa que daqui 70 anos, o Brasil terá uma qualidade de vida igual à que os espanhóis têm hoje. Eu, por exemplo, que já passei dos trinta, ao andar da carruagem, não verei esse país.

Mas se isso é ruim, lembre-se que tudo pode piorar. Neste segundo mandato de Dilma teremos pela primeira vez na história do país dois anos consecutivos de queda do PIB. Projeta-se uma queda de mais de 3% para este ano e de quase 2% para o ano que vem. E há poucas razões para se esperar resultados extraordinários para 2017 e 2018.

O que parece certo é que Dilma entregará o país em 2018 com uma renda per capita menor do que a que ela recebeu em 2010.

Ou seja, seremos mais pobres em 2018 do que o éramos em 2010.

Ou seja, no campeonato de pontos corridos do desenvolvimento econômico, o Brasil que já esteve no G4 durante décadas, há quase 30 frequenta a zona de rebaixamento.

Estamos planejando nosso fracasso e isso se chama tragédia.

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