OPINIÃO
09/03/2015 16:32 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:12 -02

Sobre o ataque do MST aos pés de eucaliptos (o "Stedilismo" como a doença infantil do "Luddismo")

Os "stedilistas" destroem agora pequisa científica, já destruíram pés de laranja da Cutrale, além de uma série de outros crimes, e nada aconteceu. E nada acontece. E nada acontecerá. Pois eles são parte do exército governista. E nós que não somos nada, que não temos o PT a nos proteger, só podemos nos revoltar.

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No início do século XIX um grupo de operários ingleses se organizou para destruir a maquinaria que eliminava seus postos de trabalho. À medida que a revolução científica-industrial avançava, máquinas e equipamentos cada vez mais eficientes iam substituindo os braços de milhares e milhares de trabalhadores. Destruí-las, portanto, parecia a forma correta de garantir o pão de cada dia com o suor do próprio rosto, tal qual a praga do Deus do velho testamento. Em homenagem a um de seus líderes, Ned Ludd, esse movimento passou para a história como "Luddismo" e seus entusiastas, como "Luddistas".

Isso hoje soa como realismo-mágico. Porém, o que parece ficção, ressurge no Brasil sob uma forma ainda mais retrógrada e ridícula. Trata-se do movimento "Stedilista" do MST. "Stedilista" em homenagem ao líder do movimento: João Pedro Stédile.

As "stedilistas" do MST em sua jornada de lutas do mês das mulheres resolveram atacar "perigosas" mudas transgênicas de eucalipto que conspiravam ardilosas contra a liberdade dos povos e o surgimento do socialismo. Convenhamos, uma máquina de tecelagem no século XIX devia parecer como o próprio Satanás soltando vapor pelas ventas, mas quem pode ter ódio de uma planta?

O dicionário também é campo de batalha. O nome "transgênico" parece um xingamento, quando na verdade se trata de espécies desenvolvidas em laboratório para que cresçam mais rápido, gerem mais matéria-prima, sejam mais resistentes a pragas e doenças. São plantas assim que permitem que a humanidade possa produzir cada vez mais alimentos em espaços cada vez menores, eles são uma das poucas chances que temos de não destruirmos todas as florestas que ainda sobram para alimentar as bilhões de bocas que existem e que só se multiplicam pelo mundo. Elas são o progresso científico, aquilo que faz a roda da história girar para frente.

Um exemplo. O gráfico abaixo mostra a evolução da área plantada e da produção de grãos entre 1977 e 2014. Graças a homens e mulheres como os cientistas envolvidos na pesquisa de eucalipto, o que vemos é que a área plantada passou de 37 milhões para 57 milhões de hectares entre as duas datas, enquanto a produção passou de 46 milhões de toneladas para 193 milhões de toneladas.

O setor de papel e celulose é dos que mais inovam no país, em muito por conta da necessidade de preservar florestas ao mesmo tempo que há uma demanda crescente pelos seus produtos. Essa capacidade de inovação é que coloca o setor como um dos setores mais produtivos, competitivos e dinâmicos do Brasil.

E inovação é o que faz um país rico e desenvolvido. Essa é uma das poucas certezas que os economistas - independentemente de corrente teórica ou ideológica - têm.

Enquanto as cientistas envolvidas naquele projeto, apesar das dificuldades, promovem o progresso do país, as "stedilistas" do MST só promovem o atraso.

Imagine um mundo no qual os ludistas tivessem tido sucesso. Estaríamos todos condenados a miséria. Imagine agora um mundo no qual as "stedilistas" atinjam seus objetivos. Neste caso, voltaríamos todos ao neolítico, com seis bilhões de caçadores e coletores, numa espécie de Mad-Max-Malthusiano.

E enquanto as cientistas são desconhecidas e desvalorizadas, as "stedilistas" apertam a mão da presidente e são chamadas em gabinetes para discutir amenidades.

Antigamente o ódio do MST era contra o "latifúndio improdutivo". Nunca mais os vi usar essa expressão tão forte e tão vazia. O MST tem um ódio difuso contra tudo o que irrita o PT - afinal, quem não sabe que o MST é só uma das bilhões de correntes internas (ainda que oficialmente exógena) do PT? As "stedilistas" são pau-mandado de Stédile, que é pau-mandado de Dirceu, que é pau-mandado de Lula (Não por acaso Lula sabe que eles são o seu exército).

As "stedilistas" postaram um vídeo muito bem editado com uma versão piegas da música "Aroeira" de Geraldo Vandré (será que foi uma legítima campesina latino-americana quem editou, ou será que foi alguma estudante de rádio e tv, usando um moderno computador da Apple?). A música diz a certa altura "é a volta do cipó de aroeira no lombo de quem mandou dar". O que na música é metáfora, nas mãos das stedilistas é objeto concreto. Elas querem nos chicotear.

Irresistível não fazer um paralelo entre as imagnes das "stedilistas" destruindo plantas, como os dos radicais do Estado Islâmico destruindo estátuas. É que os fanáticos se assemelham em métodos, discurso e comportamento.

Curioso é que o MST existe há tanto tempo, e eu nunca ouvi falar da produção agrícola deles. Aposto meu Uno 1.0 que no mínimo 90% daquelas mulheres nunca plantaram nada na vida, nunca cuidaram nem de um pé de boldo. O MST não vive da produção agrícola, vive de dinheiro do Estado e de vender camiseta pra primeiro-anista de Humanidades (eu mesmo participei de marchas do MST nos meus tempos de faculdade).

É nauseante saber que o dinheiro dos nossos impostos em alguma medida cai na mão desses (e desses) fanáticos.

Os "stedilistas" destroem agora pequisa científica, já destruíram pés de laranja da Cutrale, além de uma série de outros crimes, e nada aconteceu. E nada acontece. E nada acontecerá. Pois eles são parte do exército governista. E nós que não somos nada, que não temos o PT a nos proteger, só podemos nos revoltar.

Triste país.