OPINIÃO
03/12/2015 17:22 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:38 -02

O Futuro Incerto da Maria Antonieta das Gerais

Se tivesse consciência e autocrítica, Dilma iria carregar a culpa de entregar em 2018 (?) um País mais pobre e desarrumado do que o que recebeu em 2010. Mas, para ser político de sucesso nesta democracia tropical, é preciso nascer sem os genes responsáveis por essas características.

Que tempos são estes que vivemos!

Não por Eduardo Cunha ter aceito o pedido de abertura do processo de impeachment contra Dilma.

Não por estarmos discutindo há meses esse vai-não-vai de um possível impeachment contra a presidente. (É legal? É moral? Engorda?)

Mas sim estes tempos em que somos liderados por Dilma, Cunha e Calheiros.

Tempos em que nossos destinos são reféns das vaidades, chantagens e intrigas de Dilma, Cunha e Calheiros.

Tempos em que a abertura de um processo de impeachment contra a presidente do País é resultado do desejo de vingança de um ex-deputado em atividade.

Tempos em que o líder do governo no Senado está preso por tentar subornar e planejar a fuga de um delator do caso da Petrobras. Com R$ 4 milhões de entrada, mais parcelas de R$ 50 mil por mês, mais um avião saindo do Paraguai rumo à Espanha.

Tempos em que o patrocinador desse empreendimento é um jovem banqueiro bilionário que há pouco tempo vomitava regras de economia, moral, civismo e escotismo para todos os brasileiros, em longas e pomposas entrevistas em revistas semanais.

Tempos em que o líder do PT na Câmara é Sibá Machado, o "inadjetivável".

Mas o tempo agora será longo. Pois o País que já está andado em marcha ré na economia agora ficará estacionado em fila dupla na política.

Será uma briga de foice no escuro entre Dilma e Cunha. Entre governo e oposição. Entre o PCC e o CV de Brasília.

Pulularão dossiês, vazamentos de documentos oficiais, gravações de câmeras escondidas, denúncias anônimas em reportagens em jornais e revistas.

Não sou jurista e já desisti de tentar entender as bases legais para o impeachment da presidente.

Pelo que imaginava conhecer da Lei de Responsabilidade Fiscal, cria que havia motivo para Dilma ser afastada e para Agnelo Queiroz - ex-governador do DF - ser preso.

Nem uma coisa nem outra coisa.

Falando como leigo nessas coisas jurídicas, afirmo: Dilma não deveria sofrer o processo de impeachment. Ela deveria era pedir para sair.

Imagino o discurso de despedida de nossa mandatária: "Brasileiras e brasileiros, não reparem a bagunça e desculpa qualquer coisa".

Dilma é um fracasso absoluto como presidente.

Crises e expansões econômicas são resultado de decisões domésticas e eventos externos.

Nos tempos áureos de Lula tivemos uma virtuosa combinação de boas decisões econômicas domésticas e um cenário externo favorável.

Nestes tempos de Dilma, o cenário externo não é tão virtuoso: redução do crescimento chinês e queda no preço das commodities. Mas isso é insuficiente para justificar os atuais resultados.

A atual crise - após "crescimento" de 0,1% em 2014, com expectativa de "crescimento" de -3,19% para 2015 e de -1,9% para 2016 - é fruto fundamentalmente das más decisões tomadas pelo trio parada-duríssima: Dilma-Mantega-Tombini.

E Levy não fez diferença alguma.

[Aliás, nada mais patético que ver alguns colegas economistas-governistas creditando o atual cenário à "ortodoxia" do segundo governo Dilma. Faz-me rir!]

Dilma - se tivesse consciência e autocrítica - iria carregar a culpa de entregar em 2018 (?) um País mais pobre e desarrumado do que o que recebeu em 2010.

Mas, para ser político de sucesso nesta democracia tropical, é preciso nascer sem os genes responsáveis por essas características.

Estamos vivendo nestes anos Dilma uma reedição da década perdida. E a culpa é dela, toda dela.

Chegamos ao ponto de o mercado - sempre tão temeroso em relação às mudanças - estar reagindo de maneira positiva às más notícias contra Dilma.

E ainda tem trouxa que pega isso para construir sua surreal narrativa de "golpe das elites contra o governo popular".

Não há como sentir pena dessa triste figura.

Que a rainha sofra de insônia em suas noites em suítes presidenciais dos mais caros hotéis do mundo, regadas à champanhe e caviar dietético.

Esse pedido de impeachment tem um vício moral de origem.

Mas imagine que Delcídio - o abandonado - consegue demonstrar que a rainha tem responsabilidade direta pela quadrilha instalada na Petrobras.

Dilma está dançando a valsa do baile da ilha fiscal em um campo minado.

Impossível fazer qualquer previsão agora. Estamos no meio do caos.

E nossa Maria Antonieta das Gerais poderá entrar para a história como a primeira mulher a ser eleita e afastada do cargo de presidente.

A ver.

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