OPINIÃO
18/06/2015 16:36 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:31 -02

'Jandira Feghali em Paris e o fim da história': Retratação e comentários

No meu último texto, fiz referência a uma suposta viagem da deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) de primeira classe à Paris, França.

A deputada me procurou via Facebook, dizendo que a informação era incorreta.

Disse-me a deputada:

"O problema, professor, é que eu não viajei à Paris, e nem de primeira classe. Eu estava em missão oficial ao Líbano e fiz escala em Paris, como todo voo. Se apoiar em argumentos rasos da extrema direita, que se aventura em noticiários falaciosos, é vergonhoso. Espero que o senhor se retrate."

Retratado está.

Aproveitando a deixa... Vejam só como são as coisas:

Este site, que permite que eu debata livremente com a deputada, é um exemplo de como o liberalismo - econômico e político - é a forma "final" de organização da humanidade. Corroborando a tese de Fukuyama.

O Brasil Post é uma associação entre duas grandes empresas de comunicação, uma norte-americana - The Huffington Post - e outra brasileira, a Editora Abril, responsável pela revista Veja.

A Veja é o principal veículo de comunicação de defesa das ideias liberais e conservadoras do País. É na Veja que publicam Reinaldo Azevedo, Rodrigo Constantino e Augusto Nunes, entre outros.

No entanto, mesmo assim, o Brasil Post, em minha visão, é um portal algo esquerdista e progressista, que abriga, entre outros, um blog da nossa deputada Feghali.

Isso só é possível sob a democracia, sob a liberdade econômica.

Você consegue imaginar o portal Vermelho, do PCdoB, convidando Constantino para ser seu colunista?

A deputada Feghali pode professar livremente suas ideias, porque está em um País liberal, no sentido de Fukuyama.

Você consegue imaginar um deputado de direita em um país socialista? Há algum partido de oposição em Cuba, por exemplo, que dispute e vença eleições, tal como o PCdoB consegue no Brasil? Não, não há.

Aliás, a União da Juventude Socialista, o órgão de movimento estudantil do PCdoB, por exemplo, quis de todo modo impedir as manifestações de Yoani Sanchez, quando a blogueira cubana e crítica do regime deste país, esteve no Brasil.

Em uma das reportagens no site do PCdoB sobre o episódio, lê-se:

"Foi um movimento vitorioso porque obrigamos ela a sair pela porta dos fundos. Denunciamos essa blogueira que está a serviço do imperialismo americano", afirmou o presidente da José Martí e membro da Cebrapaz, Antônio Barreto. Ele questionou também o silêncio da cubana diante do tratamento dado pelos Estados Unidos à Ilha."

"Membro da UJS, Caio Botelho também esteve no protesto e explicou que a ação foi importante 'para mostrar quem é Yoani e o que ela representa'. 'Ela é uma pessoa financiada pelos Estados Unidos, pela CIA [Agência Central de Inteligência], e por isso critica o governo cubano.'"

Não posso deixar de registrar o óbvio: o PCdoB é um partido marxista-leninista (e stalinista) que sonha com a implementação de uma ditadura do proletariado nos moldes soviéticos no Brasil.

Diz o partido:

"A 'ditadura do proletariado' nada mais é que o Estado gerido pela e para a classe trabalhadora. As formas que esse Estado deverá assumir são social e historicamente determinadas, não há um modelo a seguir."

Sobre Stalin, lê-se em uma biografia de João Amazonas, líder do PCdoB, no site do partido:

"Assim, sabemos que, em outubro de 1956, João participou da comissão que elaborou o texto sobre o relatório de Kruschev contra Stalin, que explana: 'Todos nos chocamos com a gravidade dos erros cometidos por Stalin e pelo Comitê Central do PCUS sob direção de Stalin. Grande estranheza, além disso, causou-nos o fato de a denúncia dos erros de Stalin ter chegado ao conhecimento de todos nós, do nosso Partido e do nosso povo, através da imprensa burguesa'. Em 1957, voltou ao tema, reafirmando o papel de Stalin que, mesmo tendo cometido erros, 'e alguns erros graves', 'foi um dos mais eminentes marxistas de sua época e o maior revolucionário da Rússia, depois de Lenin. Os povos soviéticos e os explorados de todo o mundo muito devem a Stalin'."

"Erro" é pisar no pé de alguém na gafieira, o que Stalin fez tem outro nome.

O PCdoB também vê com bons olhos a ditadura hereditária da Coreia do Norte.

"Recebemos com profundo pesar a notícia do falecimento do camarada Kim Jong il, secretário-geral do Partido do Trabalho da Coreia, presidente do Comitê de Defesa Nacional da República Popular Democrática da Coreia e comandante supremo do Exército Popular da Coreia."

Durante toda a sua vida de destacado revolucionário, o camarada Kim Jong il manteve bem altas as bandeiras da independência da República Popular Democrática da Coreia, da luta anti-imperialista, da construção de um Estado e de uma economia prósperos e socialistas, e baseados nos interesses e necessidades das massas populares."

Isso são só alguns exemplos do pensa o PCdoB, partido de Feghali.

Eu me retratei com a deputada por conta de meu erro. E pretendo nunca mais citar o nome da excelência - que tem poder, dinheiro, imunidade parlamentar, assessoria jurídica, enquanto "eu tenho um fusca e um violão".

Mas será que a deputada um dia vai se retratar pelos erros históricos dela e do seu partido?

PS 1: A deputada está à minha direita no espectro político, pois ela defende o ajuste fiscal "neoliberal" de Levy. Já eu, não tenho nada a ver com isso.

PS 2: O termo "fim da história" não significa que nada mudará, que atingimos o nirvana da civilização, mas apenas que a liberdade econômica e a liberdade política venceram o debate no século 20. Ou ainda, que o totalitarismo político e a economia do tipo soviética falharam. Não concordo com tudo de Fukuyama, mas concordo neste ponto. A deputada também concorda, pois se vivesse em um regime soviético, não poderia ser dona de um restaurante. Ser dona de uma empresa privada implica em existência de livre iniciativa e busca pelo lucro, coisas que só a liberdade econômica pode prover.

Então, além de estar à minha direita, a deputada está do outro lado da trincheira da luta de classes. Ela é uma pequena capitalista, e eu sou um proletário do serviço público brasileiro.

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