OPINIÃO
14/04/2015 18:45 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02

Deus não traz felicidade. Dinheiro traz

Vi recentemente uma notícia sobre uma pesquisa que mostrava o nível de religiosidade para uma série de países. Resolvi usar essa amostra para testar algumas hipóteses. Tudo muito despretensioso, sem grande rigor científico. E concluí: Deus não traz felicidade. Mas dinheiro traz.

Adriano Defendi/Flickr
Teste de macro fotografia com a lente invertida 18-55mm

Vi recentemente uma notícia sobre uma pesquisa que mostrava o nível de religiosidade para uma série de países. Nesse link ficamos sabendo quais são os vinte países mais religiosos e quais os vinte menos religiosos.

A pergunta feita é "você se considera uma pessoa religiosa?". Como vemos na tabela abaixo, o país com o maior índice é a Tailândia, no qual 94% das pessoas se dizem religiosas. Enquanto China, o país menos religioso é a China, apenas 7% da população se declaram como religiosos.

Resolvi usar essa amostra para testar algumas hipóteses. Tudo muito despretensioso, sem grande rigor científico. Trata-se apenas de uma questão de curiosidade pessoal e não de interesse acadêmico. Certamente há estatísticos, sociólogos e economistas que estudam essa questão com bastante profundidade.

Primeiro construí a tabela abaixo, juntando informações do grau religiosidade com PIB per capita medido em dólares segundo dados do Banco Mundial, o índice de felicidade e a taxa de homicídios por 100 mil habitantes.

A tabela abaixo mostra esses dados para o grupo dos 20 países mais religiosos.

Vemos que o país mais religioso é a Tailândia, no qual 94% das pessoas se dizem religiosas. O PIB per capita médio desse grupo é de US$ 8.750,00. O país mais rico - sob esse critério - do grupo é a Polônia com US$ 23.649,00. Enquanto o mais pobre é o Afeganistão, com US$ 1.946,00.

Já a tabela abaixo, mostra os mesmos dados para o grupo dos 20 países menos religiosos.

O país com o maior PIB per capita segunda essa série do Banco Mundial é o Qatar com US$ 136.727,00 e o mais pobre, na 185ª posição, é a República Centro Africana com apenas US$ 604,00. (O Brasil ocupa a posição de número 74, com US$ 15.038,00).

A renda média dos 20 países mais religiosos é de apenas US$ 8.750,00, enquanto a média dos 20 países menos religiosos é de US$ 35.9136,00, quase 4 vezes maior que a do primeiro grupo. Há, pois, uma correlação negativa entre o nível de riqueza de um país e a fração de sua população que se diz religiosa.

O gráfico abaixo apresenta essa correlação. O que vemos é - exceto a Polônia - todos os países do grupo dos vinte mais religiosos têm renda per capita abaixo dos US$ 15.000,00. Ou seja, são mais pobres que o Brasil.

Já 15 dos 20 países com menor população religiosa estão no grupo com renda per capita acima dos US$ 30.000,00.

Outro dado interessante. O famoso axioma de Datena segundo o qual "ateus não têm limites", sugerindo uma correlação e uma causação entre a ausência de religiosidade e a criminalidade, não é corroborada por esses dados.

Usando dados do Banco Mundial o que vemos é que entre os vinte países mais religiosos a taxa média de assassinato é de 8 por 100 mil habitantes. Enquanto entre os vinte menos religiosos essa taxa é de 1,35. A título de comparação, segundo esses dados, a taxa de assassinato no Brasil é d e 25.

Entre os países mais religiosos os mais violentos são África do Sul e Colômbia, ambos com 31 assassinatos por 100 mil habitantes. Outro país bastante violento do grupo é a Nigéria, com 20 assassinatos. Argélia, Polônia e Indonésia são o destaque nos países mais religiosos, com apenas 1 assassinato.

Entre os países menos religiosos temos o caso de Hong Kong e Japão em que a taxa de homicídios é de inacreditáveis (para nós brasileiros principalmente) de 0 (zero!). E o Japão é o segundo país menos religioso - perde apenas para a China - com apenas 13% da população nessa faixa. O país mais violento desse grupo dos menos religiosos é a Letônia, com uma taxa de 5 assassinatos para cada 100 mil habitantes.

O gráfico abaixo apresenta essas informações.

Os países do grupo dos menos religiosos estão todos na faixa abaixo dos 5 assassinatos para cada 100 mil habitantes. Já no no grupo dos países mais religiosos 9 países estão acima desse patamar: 6 estão entre 5 e 10 assassinatos, 1 na faixa dos 20 e 2 países com mais de 30 asssassinatos para cada 100 mil habitantes.

A religiosidade também não parece deixar as pessoas mais felizes. Na pesquisa de felicidade (World Happiness Report - 2013) o país que ocupa a primeira posição é a Dinamarca, com 7.693 pontos. Já o último colocado, na 156ª posição, é Togo, com 2.936 pontos.

A pontuação média dos 20 países mais religiosos é de 5.115, enquanto dos países menos religiosos ela é de 6.539. O país que ocupa a posição de número 78 - o ponto do meio do ranking - é a Líbia com 5.340 pontos. O Brasil ocupa a 24ª posição, com 6.849 pontos.

Ou seja, os países mais religiosos estão, em média, abaixo do nível intermediário de felicidade. E mais, os países menos religiosos são em média 27% mais felizes que os mais religiosos.

O gráfico abaixo apresenta essas informações.

Como vemos, 10 países do grupo dos mais religiosos estão abaixo do nível intermediário de felicidade. Enquanto apenas três países do grupo dos menos religiosos estão abaixo.

Conclusão: 1 - Deus não traz felicidade. Mas dinheiro traz felicidade. Contrariando o ditado. E 2- Deus não parece ser um grande empecilho para que as pessoas matem umas às outras, o que refuta o "axioma de Datena"

Acredito que há duas hipóteses gerais para explicar esses fenômenos:

1 - Quanto mais pobre e menos esclarecido é um povo, maiores as chances de acreditarem em religião. O argumento dos ateístas deve caminhar nesse sentido.

2 - Quanto mais pobre e mais violento um país, mais as pessoas apelam para o conforto de Deus. As pessoas ricas que vivem com tranquilidade tendem a virar as costas para Deus. Essas só se tornam religiosas quando vislumbram a possibilidade de morte. O argumento dos crentes deve ir nesse sentido.

Em todo caso, acho essa discussão interessante. Deve haver uma literatura abundante sobre o tema. Pesquise e me apresente os resultados nos comentários.

A gerência agradece.

PS - Não seja babaca. Ninguém gosta de fanático religioso nem de ateu fanático. Despeje seu ódio em outro lugar.