OPINIÃO
25/06/2015 16:57 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:34 -02

Resiliência

AJC ajcann.wordpress.com/Flickr

A resiliência é importante e incompreendida. Na nossa cabeça, tendemos a pensá-la como a nossa capacidade de superar tempos difíceis. Esse pensamento faz sentido, mas contém dois riscos: continuar quando de fato devemos parar; e que nós pensamos muito sobre a nossa própria resiliência e muito pouco sobre a resiliência da nossa equipe. Resiliência é tanto saber quando parar quanto saber continuar firme, e tanto sobre entregar a liderança aos outros, quanto segurá-la a nós mesmos.

Todos nós passamos por momentos difíceis. Muitas vezes, eles vêm de fora do trabalho, mas eles nos afetam onde quer que estejamos, inclusive no escritório. Sabemos que temos que seguir em frente - e sabemos que os outros nos respeitam por seguir em frente. Isso é muitas vezes chamado de "resiliência". Mas todos nós temos limites e, às vezes, corremos o risco de cair. Precisamos saber quando estamos correndo esse risco e agir sobre ele. Seguir em frente quando não temos mais nada a oferecer pode causar danos a nós mesmos e às pessoas ao nosso redor. Um ponto essencial sobre a resiliência está em enxergar aquilo que está na sua frente, reconhecê-lo e agir sobre ele. A negação é uma inimiga da resiliência.

Muitas vezes o risco de queda acontece depois de uma longa rajada de adrenalina, quando fomos solicitados para fazer algo muito difícil. Alpinistas dizem que você corre maiores riscos no final de uma escalada. Nos recentes estudos que estou liderando, um colega deu o exemplo do terremoto e do tsunami no Japão em 2011. Esses fenômenos exigiram um esforço coletivo enorme de toda a rede da Embaixada Britânica por lá, durante muitas semanas. Mas isto não pode ser sustentado para sempre. E, quando você descarrega de toda essa adrenalina, você está exausto. Você precisa reconhecer e agir sobre essa situação. Lembro-me de voltar a Lisboa, depois de cinco dias na Ilha da Madeira, após deslizamentos de terra que mataram dezenas de pessoas, incluindo turistas britânicos. Na sexta-feira à tarde eu percebi que eu estava me sentindo estranho. Felizmente, eu liguei para o atendimento médico do Ministério Britânico das Relações Exteriores. Percebi, conversando com eles, que eu não tinha nada útil para acrescentar. Fui para casa tranquilo.

Nenhum de nós pode ser eternamente resiliente. É por isso que a resiliência de nossas equipes é tão importante. Uma equipe resiliente é aquela em que as pessoas têm clareza de propósito e de tarefas; mas, penso eu, ela contém um acordo adicional - o alinhamento da cultura, da forma como a equipe faz as coisas. Eu trabalhei em equipes com pessoas muito capazes, que sabiam o que estavam fazendo. Mas sob estresse a equipe tornou-se cada um por si, com cada um mostrando como poderia sobreviver melhor àquela situação. A equipe tornou-se individualmente competitiva. Eu também trabalhei em times com uma forte cultura compartilhada, o que lhes permite suportar a pressão e apoiar uns aos outros, inclusive quando alguém não apresenta um bom desempenho. Veja, por exemplo, o consistente e forte desempenho da equipe na minha residência, em Brasília: eles têm uma forte cultura compartilhada e trabalham um para o outro. Eles têm altos níveis de confiança, não apenas no desempenho, mas no comportamento um do outro. Assim, eles são capazes de lidar com a pressão.

Vale a pena falar com os colegas do seu time sobre resiliência; o que a constrói, o que a desconstrói, e como cada um de nós pode construí-la para nós e para o outro. Como podemos construí-la não apenas para as pessoas sentadas ao nosso lado no trabalho, mas também para as pessoas em nossa equipe que estão trabalhando em outra cidade, ou, quem sabe, em outro país?