OPINIÃO
12/11/2014 12:40 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:45 -02

Que flor vermelha é essa na sua lapela?

Uso a papoula para marcar o Dia do Armistício, que terminou a 1ª Guerra Mundial. Este ano traz um toque especial por causa do centenário do começo da 1ª Guerra, que inspirou uma obra de lembrança magnífica em Londres.

Divulgação

No dia 11 de Novembro participei de uma cerimônia comovente de lembrança, na Embaixada do Canadá, como tinha feito no domingo passado numa igreja anglicana em São Paulo. A lembrança é dos mortos e feridos nas guerras, e o símbolo da lembrança é uma flor vermelha, a papoula. Uso a papoula para marcar o Dia do Armistício, que terminou a 1ª Guerra Mundial. Este ano traz um toque especial por causa do centenário do começo da 1ª Guerra, que inspirou uma obra de lembrança magnífica em Londres.

O hábito de usar uma flor remonta às batalhas na França e na Bélgica durante a 1ª Guerra, que agitavam de tal forma as terras que as sementes de papoula, há muito adormecidas, floresceram no chão como nunca. Este fenômeno inspirou o médico canadense John McCrae a escrever o seu famoso poema "In Flanders Fields", no qual a papoula, com o seu vermelho vivo, simboliza os nossos mortos de guerra. As duas primeiras linhas são poderosas:

"In Flanders Field, the poppies grow,

Between the crosses, row on row"

Assim, a primeira razão porque uso uma papoula é para lembrar com gratidão o sacrifício daqueles que morreram na guerra para que possamos agora viver em paz. O Dia do Armistício e a recordação dos mortos são um acontecimento internacional; vários países associam-se às comemorações no Brasil, incluindo a Liga dos Combatentes brasileiros. É um momento para lembrar os sacrifícios de todos. Penso no meu tio avô, que se afogou depois do barco ser atingido por um torpedo, no meio do Atlântico do Sul. Penso na minha avó, que sobreviveu à 2ª Guerra, mas sofreu muito por causa da morte do irmão querido, e depois do meu avô que faleceu de câncer. Anos mais tarde ela se casou com um amigo que, ao voltar do trabalho em Londres, durante a guerra, descobriu a esposa morta e a casa destruída por uma bomba.

Os túmulos das vítimas, britânicas e de outras nacionalidades, têm sido preservados ao longo do tempo. Túmulos e memoriais estão marcados e são mantidos pela Comissão de Túmulos de Guerra da Commonwealth. Esta notável organização cuida das últimas moradas de mais de 900 mil soldados que jazem em lugares marcados e de mais de 700 mil inscrições com nomes de desaparecidos, incluindo no Brasil. Como disse Albert Schweitzer, os túmulos destes soldados são os "maiores pregadores da paz".

Uso também a papoula para apoiar a Poppy Appeal, que angaria fundos para a Royal British Legion. Esta instituição de solidariedade dá apoio aos milhões que serviram e servem às nossas Forças Armadas e também às suas famílias. A memória da 1ª e 2ª Guerra Mundial está passando para história. A memória dos mortos no Afeganistão é mais vívida e recente.

Por tudo isto, este ano, como todos, volto a usar a minha papoula com orgulho e gratidão que moro num mundo mais pacífico e sábio que há 100 anos.

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