OPINIÃO
22/09/2015 17:37 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:40 -02

O outro Ellis: A gênese do rúgbi

No início, até mesmo espectadores ficavam confusos com o nível de violência. Diz a lenda que, em certa ocasião, membros do público invadiram o campo, pensando que a jogo era, de fato, briga.

Blake Little via Getty Images
Rugby Pitch.

"O rúgbi é um esporte de brutos jogado por cavalheiros." Assim diz um velho ditado para descrever o jogo que começou a sua oitava Copa de Mundo na Inglaterra, no fim de semana passado.

A origem desse nobre esporte é o futebol antigo, sem regras fixas, jogado na Inglaterra desde os tempos medievais.

Era uma forma de vale-tudo, adaptado nos colégios internos ingleses como forma de tentar domar a energia dos alunos adolescentes.

Preferível deixá-los atacarem-se uns aos outros, com um juiz e regras, do que sem qualquer forma de controle.

Durante um desses jogos, em 1823, um rapaz de 16 anos, William Webb Ellis, decidiu correr com a bola em mão, em vez de chutar a bola. Nascia assim uma nova versão de futebol que recebeu o nome de escola onde estudou Webb Ellis - a Rugby School.

O novo formato foi desenvolvido gradualmente.

Em 1871, aconteceu o primeiro jogo internacional, e foi fundada uma associação para coordenar o esporte, quatro anos apenas depois da criação de uma associação homóloga para o futebol.

O timing não é coincidência -- os jogadores de futebol não queriam tanto contato físico como os que seguiram o rúgbi, e foi então que esses dois jogos se separaram.

No caso do rúgbi, no início até mesmo os espectadores ficavam um pouco confusos com o nível de violência do jogo. Diz a lenda que, numa certa ocasião, membros do público invadiram o campo, pensando que a jogo era, de fato, uma briga.

Passo a passo, o rúgbi espalhou-se pelo mundo, especialmente pelos países anglófonos -- Nova Zelândia, Austrália e África de Sul possuem os três dos melhores times do mundo hoje --, mas com força também na França, Romênia, Geórgia e até mesmo Japão.

O Reino Unido não joga como um só país, mas com várias seleções: Inglaterra, País de Gales, Escócia (o meu time) e, fato de curiosidade histórica, Irlanda, que joga como uma única ilha, com Norte e Sul juntos.

O melhor time de mundo, e grande favorito para ser campeão mundial, é a Nova Zelândia. O rúgbi para eles é como o futebol para o Brasil.

É mais que um jogo, é uma necessidade. Se não acredita, veja a tradicional dança Maori que a seleção faz antes de cada jogo, o famoso Haka.

Mas o rúgbi chegou também à América do Sul. Argentina e Uruguai estão entre os 20 times que disputam a Copa do Mundo (chamada, sem surpresa, de Copa Webb Ellis).

No Brasil, o esporte está crescendo também e contando com a ajuda de técnicos ingleses para disseminar o jogo. Vários deles trabalham em escolas do Senai via um programa liderado pelo British Council, o Try Rugby.

Rúgbi e futebol têm as suas diferenças -- o contato físico, o número de jogadores, a manobra de Webb Ellis de correr com a bola nas mãos.

Mas, se há uma diferença que gostaria de ver passar do rúgbi para futebol, seria o respeito pelo juiz. No rúgbi, só o capitão da equipe pode falar com o árbitro. Se um outro jogador questiona alguma decisão, logo recebe um pênalti contra ele.

Brutos ou cavalheiros, os jogadores de rúgbi respeitam a disciplina e as regras do jogo.

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