OPINIÃO
16/11/2015 12:48 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:31 -02

Keep calm and carry on

O que os terroristas querem é uma mudança: de política externa e de comportamento pessoal. Não podemos controlar as ações deles, embora tentaremos frustrá-los. Mas podemos controlar a nossa reação -- que não deve ser nem de retirada, na falsa esperança de que a ameaça desapareça, nem de avançar de uma maneira irrefletida.

Bloomberg via Getty Images
A French national flag flies near the Eiffel Tower in Paris, France on Sunday, Nov. 15, 2015. French investigators are still reconstructing how three teams of Islamic State militants killed at least 129 people in coordinated attacks in Paris on Friday. Photographer: Simon Dawson/Bloomberg via Getty Images

Há duas semanas, entrei no metrô de Londres chegando do Brasil. Depois de duas ou três estações o vagão ficou cheio de pessoas, incluindo, sentado à minha frente, um jovem com uma mochila no colo, rezando.

Senti um pouco medo; comecei a pensar nos ataques no metrô, em Londres, em julho de 2005, da utilização das mochilas como bombas. O medo passou, e eu desci normalmente na minha estação.

Estou pensando bastante neste incidente desde as notícias dos ataques horríveis em Paris. Estou pensando bastante, não tanto na ação dos terroristas, que merece e tem recebido a maior condenação de todo o mundo, mas na reação das pessoas.

Depois do choque inicial de um ataque como esse em Paris, começam as interpretações. Nem tanto acerca do por quê; infelizmente, as ações e as motivações dos terroristas na Europa e especialmente no Oriente Médio são bem conhecidas. Mas mais no sentido das pessoas que tentam retirar conclusões dos ataques para justificar as suas opiniões.

Aqueles que querem fronteiras mais fechadas sugerem que chegou a hora de proibir refugiados da Síria de entrar -- uma ironia perversa dado que esses refugiados estão fugindo exatamente desse tipo de comportamento no país deles.

Aqueles que já achavam que as forças de segurança precisam de acesso mais fácil aos dados telefônicos, torpedos e e-mails acham que a tragédia da sexta passada comprova a necessidade desse acesso para a prevenção de futuros ataques.

Essas reações também provocam contrarreações; de pessoas que querem fronteiras mais livres, que querem mais privacidade de dados.

O que fazer? De imediato, há uma expressão de solidariedade, que é muito pessoal. Rezar, refletir, marchar, escrever condolências num livro formal, mudar seu perfil de Facebook. Chacun à son goût, cada uma à sua maneira.

Depois, viver.

O que os terroristas de Estado Islâmico querem é uma mudança: de política externa (algo que fica evidente na mensagem deles emitida no dia seguinte aos ataques) e de comportamento pessoal.

Não podemos controlar as ações deles, embora tentaremos frustrá-los.

Mas podemos controlar a nossa reação -- que não deve ser nem de retirada, na falsa esperança de que a ameaça desapareça, nem de avançar de uma maneira irrefletida.

É difícil manter as coisas como eram antes.

Os próprios objetos mudam a sua natureza quando são utilizados para fins maléficos.

Um avião, depois do 11 de setembro, deixou de ser apenas um meio de transporte, e se tornou uma bomba.

A mesma coisa se passou com uma mochila depois de 7 julho 2005 em Londres ou de 11 de março 2004 em Madri.

Não vale a pena fingir que nada mudou.

Cidades como Paris vivem num nível de alerta mais alto que antes. Há uma ameaça, para o mundo, que vem de Estado Islâmico. Temos de confrontar essa realidade.

Mas, no nosso dia a dia, a maneira mais eficaz de frustrar as intenções dos terroristas está resumido num velho slogan da Segunda Guerra Mundial: keep calm and carry on.

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