OPINIÃO
09/03/2016 16:22 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:38 -02

Inocência

Kevork Djansezian via Getty Images
HOLLYWOOD, CA - FEBRUARY 28: Costume designer Jenny Beavan, winner of the Best Costume Design award for 'Mad Max,' poses in the press room during the 88th Annual Academy Awards at Loews Hollywood Hotel on February 28, 2016 in Hollywood, California. (Photo by Kevork Djansezian/Getty Images)

Em todo o Brasil, existem britânicos trabalhando com brasileiros para reduzir a desigualdade.

Recentemente, visitei um projeto em Olinda, Reaviva, organizado por um inglês e financiado em parte por doações de igrejas anglicanas do Reino Unido.

A iniciativa consiste de uma casa onde dormem cerca de uma dúzia de meninas - entre crianças e adolescentes - que chegam ao local via tribunais.

Para a Justiça, elas, por diversas razões, não estão seguras em suas próprias casas.

Durante a visita, uma moça mostrou com orgulho uma foto de Justin Bieber, ao lado de um outro objeto importante para ela, o seu ursinho de pelúcia.

E assim, em dois objetos, vi um retrato daquela idade de transição pelo qual todos nós passamos, da infância à chegada da puberdade e da adolescência.

É uma idade em que olhamos para frente - para o ser adulto, mas também para trás - lembrando a infância.

É uma idade frágil e ao mesmo tempo fascinante, com uma intensidade de emoção que nunca mais volta na sua vida.

Tudo é da maior importância - canções, amigos, estilos.

Infelizmente, as moças dessa casa não foram protegidas durante essa frágil idade.

Ao contrário, elas foram exploradas por suas famílias e outras pessoas.

Não tiveram a oportunidade de crescer no seu próprio ritmo, descobrindo coisas novas pela sua própria vontade.

Elas não tiveram controle sobre as suas vidas.

Pensei nessas meninas quando li sobre a polêmica causada por uma das ganhadoras do Oscar (uma britânica, por acaso) que se vestiu à sua própria maneira, com roupas de lojas "normais" e não de luxo.

Designer e figurinista (vejam só a ironia), formada na renomada Central School of Art and Design em Londres, Jenny Beavan decidiu vestir-se com o que sentia bem e não com o padrão estabelecido.

Mas... padrão estabelecido por quem?

Por homens.

No entanto, basta usar saltos altos uma vez para entender que eles não são uma opção confortável ou prática.

Sim, há mulheres (até homens) que gostam.

Mas muitas mulheres usam porque acham que é necessário, não porque gostam. É uma escolha influenciada pelas diferenças de gênero.

Infelizmente, esta consciência feminina de ser objeto sexual está chegando cada vez mais cedo na vida de muitas mulheres.

Fico espantado quando vejo moças pré-adolescentes posando para fotos de uma forma mais sexual, de salto e com caras, bocas e poses adultas.

Por isso, nós homens devemos refletir sobre as nossas próprias escolhas e opiniões para apoiar a liberdade de expressão e as escolhas individuais de mulheres, de modo que elas possam exercer seus direitos e liberdades, quer seja sonhar com Justin Bieber, quer seja dar um abraço em um ursinho de pelúcia.

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