OPINIÃO
19/05/2015 12:03 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:12 -02

Embraer: uma história de estratégia nacional

Eles competem com os maiores e melhores do mundo; e ganham. Sem política de conteúdo local, sem qualquer monopólio, mas com uma história de estratégia nacional, que criou, talvez, a multinacional mais bem sucedida do Brasil.

AFP via Getty Images
The logo of Brazil's aircraft manufacturer Embraer taken at Le Bourget airport, near Paris on June 23, 2013 during the 50th International Paris Air show. AFP PHOTO ERIC PIERMONT (Photo credit should read ERIC PIERMONT/AFP/Getty Images)

Um empresário português me disse uma vez que não houve empresas nacionais em Portugal. "Aqui, o dia em que sua empresa nasce, nasce internacional". Por quê? Por causa da União Europeia, que obriga cada um dos 28 Estados Membros, incluindo o meu país, a abrir completamente o seu mercado nacional para as empresas dos outros 27 membros. A competição internacional começa no primeiro dia.

Não é o caso no Brasil. Com seu mercado interno tão vasto, e com tarifas relativamente altas sobre os produtos externos, uma empresa, mesmo grande, normalmente é uma empresa nacional. A exceção à regra são as empresas de commodities, seja de mineração seja de agricultura, dois setores que compõem quase dois terços das exportações do Brasil.

Visitei uma exceção à essa regra na semana passada. A Embraer é uma das empresas mais internacionais do Brasil. Não é por acaso que nasceu assim. Os seus primeiros aviões foram produzidos há mais que 40 anos, em parceria com outros países como França e Itália e, uma década mais tarde, com o Reino Unido. E também não é por acaso que a Embraer continua na mesma linha global até hoje, com a maioria das suas vendas fora do Brasil, e também com a sua cadeia do valor estendido a todo o mundo, com peças vindo de vários continentes. A prova da sua natureza internacional é que Embraer vende aviões para a Força Área dos Estados Unidos.

Isto não quer dizer que a Embraer não é uma empresa nacional. As suas origens vêm do criador do Brasil moderno, e grande nacionalista, Getúlio Vargas, que fundou o Instituto Tecnológico de Aeronáutica, para produzir engenheiros, que depois foram trabalhar em Embraer. O estado brasileiro mantém uma participação na empresa, como é costume para empresas desta natureza em todo o mundo. E também o estado brasileiro é uma cliente importante para produtos da defesa da Embraer.

Mas, respeitando uma história nacional, a visão global da Embraer é impressionante. Eles competem com os maiores e melhores do mundo; e ganham. Sem política de conteúdo local, sem qualquer monopólio, mas com uma história de estratégia nacional, que criou, talvez, a multinacional mais bem sucedida do Brasil.