OPINIÃO
30/09/2014 15:51 -03 | Atualizado 26/01/2017 20:56 -02

Bonita é branca?

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Minha mulher faz parte de um grupo de voluntários que trabalham numa escola na "fronteira" entre o Distrito Federal e Goiás, em Águas Lindas. Sendo na fronteira, o bairro dá a impressão de ser um pouco esquecido, incluindo em termos de fundos para a escola. Isto dito, a escola tem dignidade. Foi recentemente pintada em cores vivas, tem segurança na porta, tem uma cozinha onde se faz um bom almoço. Os voluntários (voluntárias para ser preciso) apoiam esta dignidade com carne para o almoço, dinheiro para a pintura, e com atividades para as crianças, desde aulas de inglês com os mais velhos até trabalho com os bebês.

Juntei-me ao grupo de voluntárias na semana passada. Como os alunos maiores estavam falando com Yana Marull, a autora do fascinante livro "Rios que voam", sobre o fenômeno da chuva que sai da floresta Amazônica e cai sobre o resto do Brasil (mas ainda não sobre São Paulo), fui fazer uma coisa que tenho evitado desde que tinha mais ou menos a mesma idade que as crianças - trabalhos manuais. Não tenho jeito, mas felizmente os alunos tinham, e aqui há provas do talento deles.

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De fato, gostei muito de conhecer os alunos, a escola e ver as voluntárias em ação. Mas uma coisa me deixou inquieto. As crianças estavam desenhando e decorando bonecos, utilizando revistas antigas de moda para decorá-los, cortando fotos de mulheres bonitas, os lábios, olhos e corpos. Depois de observá-los por alguns minutos, vi uma diferença incômoda entre a cor das moças e a cor das manequins nas revistas. As manequins eram brancas, as moças não. A mensagem, subliminar, foi clara. Para ser bonita é preciso ser branca. Uma mensagem muito indigna numa escola digna. Como lutar contra isto?

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