OPINIÃO
04/11/2014 15:24 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

Algumas observações de fora sobre as eleições

Não voto no Brasil, mas as eleições proporcionam uma excelente oportunidade para um observador estrangeiro entender melhor o que está acontecendo no país e o porquê.

Senado Federal/Flickr
Eleições 2014 - Dia de votação no Centro de Ensino Médio Ave Branca (CEMAB) em Taguatinga, Distrito Federal.Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

Não voto no Brasil, mas as eleições proporcionam uma excelente oportunidade para um observador estrangeiro entender melhor o que está acontecendo no país e o porquê. Alguns pontos abaixo.

O ponto óbvio é a divisão - entre diferentes partes do país e entre os diferentes grupos de renda. Mas isso não é verdade para qualquer país? Se você olhar para o mapa eleitoral do meu país, você verá grandes e previsíveis diferenças de cor, assim como os "blue states and red states" dos EUA.

O segundo ponto óbvio é que essa foi uma eleição muito acirrada. A pequena diferença no resultado significa que foi uma campanha dura e intensa. Contudo, mais uma vez, não é o que acontece em outras partes do mundo? Quanto mais apertada a eleição, mais "vigorosa" é a campanha. Os candidatos disputam todo e qualquer voto. Para mim, a parte da campanha que mais justifica críticas foram as canções na propaganda eleitoral: não chegaram, ao meu ver, no nível do resto da produção musical maravilhosa deste país.

Em terceiro, a difusão do poder. Isto é uma característica do Brasil que tem efeitos positivos e negativos. Existem 28 partidos no Congresso, e os governadores são de 9 partidos. Com isso, o executivo federal terá que negociar muito para alcançar objetivos nacionais.

Em quarto, a falta de diversidade. Um colega, novo no país, me comentou esta manhã como os políticos eleitos no Brasil ainda não refletem a enorme diversidade da população. Por exemplo, só há uma governadora entre os 26 Estados e Distrito Federal. Refletir a diversidade da população nos representantes eleitos não é uma questão só para o Brasil, mas para muitos países do mundo, incluindo o meu.

Em quinto, o Brasil é um país mais preocupado com o bem estar do que com o PIB. Durante os debates os candidatos falaram menos sobre crescimento e mais sobre progresso social, inclusão e níveis de emprego. Houve menos debate sobre crescimento econômico com valor em si próprio. É um meio para um fim.

Finalmente, para voltar a um tema sobre qual já escrevi, acho a que a maior conquista de todas é que o eleitorado confia no processo eleitoral. A reação a um resultado muito apertado, ao fim de uma campanha muito contestada, não foi de desconfiança nos números ou de gritos de "fraude", mas de aceitar os resultados que foram publicados. Isto, para mim, é o fato mais notável de todos, que vale a pena destacar num país tão grande e tão diverso, onde a democracia só voltou há menos de 30 anos.

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