OPINIÃO
06/02/2015 18:05 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:53 -02

A idade da pedra não chegou ao fim por falta de pedras...

midianinja/Flickr
Visita no Sistema Cantareira. As imagens fazem parte do Projeto contadagua.org 11/11/2014 Foto: Mídia NINJA

Faz calor. O ano de 2014 foi o ano mais quente para o planeta desde que registros começaram, em 1880. Além disso, o Brasil também passa pelo verão mais seco dos últimos 70 anos, o que tem afetado São Paulo, partes de Minas Gerais e o Rio de Janeiro. Há muito foco sobre a necessidade de consumir menos, de investir mais, de refazer a infra-estrutura de água no país.

Mas, atrás de todas as conversas sobre soluções imediatas, é necessário reconhecer um elemento essencial - o clima está mudando. Quem diz é o maior cientista brasileiro, Dr. Carlos Nobre: "O planeta está mais quente e há mais vapor de água na atmosfera. É um fato."

Apesar da cautela em relacionar as alterações no clima global com a situação em São Paulo, as mudanças locais não passam despercebidas: "Em anos anteriores, em São Paulo ocorreram chuvas muito intensas, que causaram inundações três vezes mais frequentes do que há setenta ou oitenta anos. A temperatura média na cidade está de 2 a 4 graus mais alta do que no início do século passado."

O Brasil está enfrentando uma verdade incômoda, de que há limites aos recursos naturais, mesmo em um país tão abençoado como o Brasil. Mas ao mesmo tempo em que a água está desaparecendo, o Brasil continua encontrando mais e mais reservas de combustível fóssil (base da economia global), o que acaba colocando em xeque a teoria de que teremos um "pico do petróleo" no horizonte.

Curiosamente, além de não estarmos perto do esgotamento desse recurso, atingimos os preços mais baixos das últimas décadas - abaixo de US$ 50 o barril. Em compensação, o bem global que sempre vimos (e usamos) com abundância já está mostrando seus limites. A atual crise hídrica no sudeste do Brasil, e as consequentes medidas de racionamento, também são conhecidos no Reino Unido. Provavelmente, isso se tornará mais frequente ao redor do mundo.

Mas a injeção de combustíveis fósseis também oferece oportunidades. Com um petróleo mais competitivo, os países têm a chance de reduzir seus subsídios e reforçar os investimentos em energias renováveis e tecnologias limpas.

Na semana passada tivemos, em Londres e em Pequim, o lançamento da "Calculadora Global", uma ferramenta que foi desenvolvida pelo Departamento de Mudanças Climáticas e Energia do Reino Unido (DECC). A ferramenta mostra, de forma interativa, como podemos conciliar a redução de emissões com o desenvolvimento econômico e a melhora na qualidade de vida.

Acho que está claro que precisamos rever os padrões tradicionais de desenvolvimento. Essa é uma prioridade da Política Externa do Reino Unido para este ano, quando teremos uma janela de oportunidade política. Trata-se da Conferência das Partes (COP-21) no âmbito da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), que acontecerá em Paris, em dezembro.

Será o momento para conseguirmos um acordo entre a comunidade global, refletindo os compromissos e as medidas domésticas. O governo britânico contribuirá com £720 milhões para o Fundo Verde para o Clima, voltado a ações em países em desenvolvimento, e se comprometeu no âmbito da União Européia a reduzir emissões em pelo menos 40% até 2030. O Brasil é um parceiro fundamental nessas negociações. É um país que tem sua voz ouvida, e um grande peso graças ao seu tamanho e diplomacia.

Apesar da frase do título ter sido originalmente cunhada (com ironia) por Sheikh Yamani (ex-ministro do petróleo da Arábia Saudita), ela foi adotada por acadêmicos de desenvolvimento sustentável, e se tornou um dos pilares da inovação, demonstrando como devemos repensar os atuais padrões de produção e consumo. Espero, assim, que possamos validá-la, e mostrar que é possível transformar a forma como nos desenvolvemos.

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