OPINIÃO
31/12/2015 10:49 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:53 -02

2015 - annus horriblis

Foi um ano turbulento em termos econômicos, políticos e jurídicos. Mas, no meio da crise, há oportunidades que surgem... 2016 pode ser um ano de reflexão sobre como traçar o futuro do País, sobre quais os caminhos para relançar as transformações social e econômica do Brasil.

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Ao fim de 1992, a Sua Majestade Rainha Elizabeth II olhou para trás sobre um ano que incluiu a separação do herdeiro, Príncipe Charles, da sua esposa Diana, depois de publicação de uma biografia sensacionalista sobre ela, e de incêndio que destruiu uma parte substancial do Castelo de Windsor, uma de suas residências oficiais.

A rainha concluiu que tinha sido "um annus horriblis". Como ela observou, laconicamente, 1992 não foi "um ano para o qual eu olharei com prazer".

É bem possível que haja agora vários leitores pensando a mesma coisa sobre 2015 no Brasil.

Foi um ano turbulento em termos econômicos, políticos e jurídicos.

Em janeiro, a previsão era de crescimento de 0.5%; ao fim do ano, a economia reduziu 3.5%.

Quem teria imaginado há 12 meses que figuras ilustres do mundo político e econômico terminariam o ano na cadeia? Sem contar que não me atrevo entrar em um debate sobre a Seleção Brasileira em 2015.

Mas, caro brasileiro, algumas palavras de conforto de quem sobreviveu a 1992 no Reino Unido.

Primeiro, isso acontece. Anos assim já foram vistos no Brasil e em outros países. 1992 foi um ano muito difícil no Reino Unido, com uma recessão e também uma seleção nacional que ainda hoje me faz corar por causa da sua ineptidão.

1976 também foi outro ano ruim com a entrada do FMI na nossa economia, para nos salvar, 30 anos depois da grande vitória da Segunda Guerra Mundial.

Segundo, no meio da crise, há oportunidades que surgem. 2016 pode ser um ano de reflexão sobre como traçar o futuro do País, sobre quais os caminhos para relançar as transformações social e econômica do Brasil.

Essa reflexão é importante porque um país nunca sai de uma recessão igual a quando entrou.

Também as Olimpiadas a Paralimpíadas são oportunidades para mostrar o melhor do Brasil ao mundo. A audiencia para a cerimônia de abertura em Londres 2012 foi de quase um bilhão de pessoas.

Terceiro, os ganhos sociais não têm desaparecido. Basta olhar para alguns dados para entender os avanços do Brasil nas últimas décadas.

A expectativa de vida no Brasil cresceu de 66 anos em 1993 para 74 anos em 2013.

A taxa de mortalidade para crianças com menos 5 anos, para cada mil nascimentos, baixou de 58 em 1991 para 16 em 2013.

E, ainda que a posição do Brasil na classificação do Índice de Desenvolvimento Humano tenha baixado, alguns ganhos continuam, como por exemplo, o fato de que a cada ano, cada vez mais brasileiros estejam passando mais tempo na escola.

Quarto, seja qual for a decisão dos tribunais, a impunidade, que é um forte trovão sobre a justiça e o progresso, será muito enfraquecida. Ainda bem.

Quinto, o Brasil está mostrando, mais uma vez, a sua resiliência. Este é um País que, no meio de turbulência, tem diversidade e pluralidade como bases de sua solidez.

Finalmente, minha experiência com anos de turbulência atesta que esses também são anos de criatividade. A confusão e até mesmo a raiva no Reino Unido dos anos 1970 produziu música excelente, com a chegada dos Sex Pistols, The Clash e The Damned.

Quem são os punks que estarão emergindo no Brasil?

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