OPINIÃO
21/02/2014 15:50 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:04 -02

As 3 pessoas (sonhadoras) por trás do Banco Pérola

A história e os valores compatilhados de três personagens que deram existência ao plano de negócios do Banco Pérola, que oferece microcrédito a família de Sorocaba (SP).

Ao analisar a cultura organizacional de uma instituição diversos são os componentes que a formam, como: crenças inconscientes, produtos, serviços, padrões de comportamento e valores. Quando escrevo sobre o Banco Pérola dois destes componentes ficam muito evidentes na construção da instituição e na forma como ela está hoje. São eles: as crenças inconscientes dos fundadores e seus valores pessoais.

No primeiro texto compartilhado aqui no Brasil Post escrevi sobre trabalho e significado e contei um pouco sobre o que é o Banco Pérola e a pergunta chave foi: mas afinal, em poucas palavras, o que é o Banco Pérola? Neste momento iniciarei construção da segunda resposta de outra pergunta chave: como nasceu o Banco Pérola?

Como dito anteriormente dois dos componentes na criação do Banco Pérola são as crenças inconscientes e valores dos fundadores. Mas, para dar vida a esta dissertação contarei, em poucas palavras, a história dos três personagens que deram existência ao plano de negócios do banco: eu, Alessandra, fundadora do Banco Pérola, e duas pessoas especiais que convidei para iniciar os trabalhos e co-fundarem o banco: Adriene e Wesley.

Alessandra

Nasci em uma pequena cidade do estado do Paraná chamada Guaraniaçu. Meus pais, naquele tempo agricultores, lutavam muito para manter a família, que quando nasci já era grande, pois contava com quatro integrantes: dois tios pequenos que foram adotados por meus pais quando meus avós maternos faleceram, meu pai e minha mãe.

Depois de um longo período de seca minha família perdeu a lavoura e por isso decidiu partir para a "cidade grande" em busca de trabalho e melhores condições de vida, fato este que é comum para muitos brasileiros. Desta forma, escolheram a cidade de Sorocaba, interior de São Paulo, e foram morar em um bairro periférico próximo às indústrias.

Como tinham pouca escolaridade, poucas também foram as oportunidades, e durante minha vida toda vi de perto a luta de meus pais para cuidar da família ao serem operários, caminhoneiros, costureiros, pedreiros, eletricistas, comerciantes: microempreendedores.

Uma bolsa de estudos e um projeto social me trouxeram até aqui, história esta que abordarei em outro texto. Meu objetivo hoje é contar para vocês os pontos em comum desses três jovens que criaram a metodologia do Banco Pérola. Pontos estes que ficarão claros no decorrer da dissertação.

Adriene

Nasceu e cresceu em Sorocaba, em uma família pequena, já que era a única filha e, assim como muitas crianças de classe média ascendente, acompanhou o desafio de seus pais para manter a casa, propiciarem boa educação e oportunidades para ela.

Quando questionada sobre o que no Banco Pérola lhe faz lembrar sua família, as histórias de empreendedorismo de sua mãe ganharam força: "Quando atendo os empreendedores lembro da minha mãe! Minha mãe era sacoleira... Quantas sacolas eu vi ela carregar e hoje eu sei o quanto ela lutou para me dar de tudo. Em muitos momentos eu me lembro disto, quando estou com os empreendedores."

O ponto de encontro de nós três foi o Projeto Pérola, que também receberá um texto dedicado. Sendo assim, no decorrer da conversa, quando Adriene é questionada sobre o que lhe inspirou a participar do Banco Pérola e quais foram os pontos em comum destes três jovens para participar e co-criar o Banco Pérola, ela responde:

Acho que a inocência foi importante no princípio, pois, talvez, se não tivéssemos isso não começaríamos. A coragem também foi importante, pois abandonar um cargo de liderança com salário garantido para empreender um negócio social para jovens das classes C, D e E realmente é difícil! Até podemos colocar que a soma da inocência com a coragem é igual a loucura!

Muitos consultores nos disseram que não passávamos de jovens loucos e inocentes! Teve um que até ousou dizer: ajudo na construção deste plano de negócios mas não assino! Sempre tive certeza que daria certo, tanto é que, quando fiquei sabendo da ideia do banco, eu achei incrível, achei que era isso!

Wesley

Sorocabano e, assim como Adriene, nasceu e cresceu na cidade. Vem de uma família pequena, pai mãe e uma irmã, e com valores muito fortes.

Quando Wesley decidiu aceitar o desafio do Banco Pérola, levou alguns pontos em consideração: uma grande oportunidade de mercado, já que não existia ninguém que trabalhasse com crédito para jovens, desenvolver-se como líder e também se desenvolver como pessoa.

Para este último ponto, desenvolver-se como pessoa, retomamos os componentes de crenças inconscientes e valores, pois, quanto mais Wesley se aproximava dos empreendedores que ele atendia, mais ele se aproximava de sua família:

Era muito forte quando estava em contato com o público: ali eu me sentia muito perto dos meus valores, das pessoas, era o Wesley trabalhando como pessoa. Era minha família, eram meus amigos, falava a mesma língua. Vim de uma família humilde. Minha mãe tem todas as características do público que a gente atendia: ela tem um brechó! Comecei a perceber as dificuldades que minha mãe passava, me fez olhar para dentro. Acontecia com minha mãe dentro de casa.

Wesley participou em período integral do Banco Pérola no primeiro ano, ano de construção da metodologia. Ao final deste período, outro produto do autoconhecimento o tocou, a convivência com os empreendedores despertou um sonho antigo: queria empreender um negocio de tecnologia e gestão:

Sempre gostei muito da tecnologia. No banco eu tive contato com muitos empreendedores e isso ficou muito forte... Cada dia isso ficava mais forte: "um dia eu preciso ser empreendedor"! Meu objetivo era concluir a metodologia, e quando isso aconteceu eu queria ser empreendedor! Conviver com tantos empreendedores me fez ter vontade de empreendedor também...

Atualmente Wesley Fernandes está com 26 anos, é conselheiro do Banco Pérola, formado em tecnologia da informação e pós graduado em gestão de negócio. Tem uma empresa que apoia com ferramentas de tecnologia pequenos e médios empreendedores na gestão de seu negócio. O conceito desenvolvimento foi chamado e-business: 50% tecnologia + 50% gestão de negócios. A equipe de Wesley tem cinco pessoas e atende 70 clientes.

A ler e escrever esta história fica claro para mim que tudo faz sentido! Essas três pessoas eram as pessoas certas para começar o Banco Pérola, já que compartilhavam dos mesmos valores e crenças inconscientes: família, honestidade, inocência, amor e coragem. O produto desta parceria e amizade de três jovens para construir um negócio social foi a metodologia do banco, utilizada até hoje.

Sem sombra de dúvidas esse foi o texto mais emocionante que já escrevi! Que venham os próximos! Obrigada!