OPINIÃO
18/07/2014 17:47 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:22 -02

O que a Copa me deixou

O frio da cidade, o inverno argentino... Agora é esperar pela Rússia ainda sem saber se o fogo da paixão permanecerá em 2018. Acho que sim.

Joe Raedle via Getty Images
BUENOS AIRES, ARGENTINA - JULY 13: Argentine soccer fans watch a broadcast of their team playing Germany on a large screen setup in Plaza San Martin during the World Cup final on July 13, 2014 in Buenos Aires, Argentina. Germany won 1-0 for their fourth World Cup, played in Rio de Janeiro. (Photo by Joe Raedle/Getty Images)

As expectativas para esta Copa do Mundo foram muitas. Comprei com antecedência os voos para Brasília e seis meses depois adicionei duas semanas de viagem. Um sonho não se vive numa semana e terminei viajando 23 dias pelo Brasil, imenso pais com pessoas e idioma distinto, com o café da manha mais completo que já tomei.

12 de junho finalmente chegou. Essa quarta feira às cinco horas me encontro num bar de Palermo, em Buenos Aires, sem entender como o Brasil perdia com Croácia. Numa churrascaria perto da estação do trem a caminho de casa vi como Brasil devolvia ao povo um pouco de tranquilidade e ganhava 3-1. Coisa boa essa Copa. As mulheres falando do técnico e dos bonitos jogadores croatas. Os homens do arbitro japonês que ajudou Brasil. As horas passavam e faltava menos para cumprir um desses sonhos que uma pessoa tem na sua vida.

O sábado 14 saí de casa. Ao meio dia viajei a Guarulhos e sem saber ou sabendo, comecei uma viagem cheia de circunstancias e emoções. Primeiro destino Guarulhos, um aeroporto cheio de torcedores de todos os lugares que você imaginar. América do Sul, Europa, África, Ásia, Oceania. E eu. Comprei a Placar com Thiago Silva na capa, comi um cheddar em Mc Donalds e fui para a rodoviária Tiete.

Domingo 15 cheguei a Rio de Janeiro, vi como a cidade amanhecia acompanhado de muitos colombianos e compatriotas. Esse mesmo dia Argentina jogou contra Bósnia. Sem ingresso, fui um dos milhares que alentaram desde a bonita Copacabana. Alegria, emoção (claro) ao ver jogar a meu pais longe de casa. Mesmo vizinhos, mesmo compartindo muitas coisas, Brasil e Argentina são dois mundos.

Caminhei tranquilo por essas ruas cariocas, sempre bonitas, com as praias e os morros ao redor. Aproveite o clima da cidade. Se em Rio a Copa não se vive, não se vive em nenhuma parte. Depois de Rio, Salvador de Bahia e meu primeiro jogo: Franca - Suíça. Falando em português argentinizado, ou portunhol, com amigos que sempre foram agradáveis. No dia do segundo jogo de Argentina almoçando feijoada. E depois viajando para Recife para assistir ao jogo de México e Croácia. E ainda com tempo para conhecer Morro de São Paulo, cidade invadida por argentinos.

Duas semanas completas viajando muito, sozinho ou acompanhado. Descobrindo belezas como Olinda, conhecendo pessoas tão diversas como de Israel, Canadá, Alemanha ou Chile. Falando todos o mesmo idioma: idioma do futebol.

A ultima cidade foi Brasília, desconhecida por muitos argentinos ate o jogo contra Bélgica. Essas casualidades da vida me fizeram encontrar com Jairo, meu sogro que troca figurinhas da Copa e acorda as quatro da manha para comprar ingressos da Copa. Com ele vimos os jogos de oitavas e quartas. Fui um desses 20 ou 30 mil argentinos no Mane Garrincha.

Um dia tinha que voltar a Buenos Aires. Ainda faltavam mais emoções. Ver como Argentina avançava e Brasil sofria a ¿pior? derrota de sua historia futebolística. E chegar ate a final, ate o tempo suplementário, e cair em pé. Com a tristeza de perder ao final, com o orgulho de ser uns dos melhores.

Não e fácil acostumarse a rotina novamente, não depois duma Copa do Mundo. Agora o frio da cidade, o inverno argentino. Agora esperar para Rússia ainda sem saber se o fogo da paixão permanecerá em 2018. Acho que sim. Brasil foi cores, estado de alegria permanente, torcedores do mundo inteiro, estado de paz interior que não lembra nem da economia, política ou ideologia durante o mês que dura a Copa.

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