OPINIÃO
30/06/2014 13:33 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:46 -02

Invasão argentina em Morro de São Paulo

Os argentinos invadiram o Morro de São Paulo. Continuam aparecendo brasileiros com nossa camisa. "Você achava que um hostel que se chama Che Lagarto não ia a ter argentinos?" - disse brincando minha namorada.

Getty Images

Brasil tem coisas que enamoram. Conheci uma cidade maravilhosa que não é o Rio. Olinda, mas povo e que cidade... Tem ruas tranquilas, uma igreja antiga perto da praça, onde os meninos jogam futebol de dia e também sem luz, todos com a camisa do Neymar. Os croatas e italianos fotografam os pequenos craques desde as escadas da igreja.

Ao lado dos mercados artesanais, comi uma tapioca cartola com banana, leite condensado, canela e queijo. Incrível. No hostel de Olinda fiz amizade com uns mexicanos e fui com eles ao jogo de México x Croácia do dia 23 em Recife. Indo para o jogo, no metrô e também no estádio, cantavam "Cielito Lindo", uma espécie de grito de guerra que parece uma declaração de amor. Eram maioria e os poucos croatas, sérios. México ganhou de 3-1 e gostei. Mas, você sabe, não é a mesma coisa se não joga Argentina.

Agora estou em Morro de São Paulo. Os argentinos invadiram aqui. "Você achava que um hostel que se chama Che Lagarto não ia a ter argentinos?" - disse brincando minha namorada. Então, assisti ao jogo de Argentina contra Nigeria com eles. Fiquei contente por Messi, que agora pode fazer todos os gols que antes não entravam; nervoso com a violência nigeriana pouco castigada pelo arbitro e preocupado com nossa defensa. Ratón Ayala, Cabezón Ruggeri, podem voltar?

Aqui em Morro conheci uns argentinos de Santa Fé, torcedores de Unión, um time da segunda divisão. Um deles, de apelido "Pelado", foi o cozinheiro oficial da tropa e um clássico "charlatán" argentino (que gosta de falar). Mas bem legal. Com eles assisti ao jogo e aos comerciais brasileiros. Como gostam de alimentar a disputa futebolistica com o irmão argentino, não é?

Conheci outro argentino (trabalha numa padaria) que odeia seu país. Em 1977 foi embora. Não perguntei porque. Tudo isso em português bem duro, porque acho que nunca vai perder a pronuncia. Daniel, seu nome. Me deu um x-burguer e suco de manga e nos despedimos amavelmente.

Continuam aparecendo brasileiros com nossa camisa. Já tiveram invasão argentina no Rio, Belo Horizonte e Porto Alegre. Em Morro de São Paulo também. A mesma coisa vai acontecer em São Paulo contra os frios e corretos suíços nas oitavas. E se Deus e o Papa Francisco ajudarem em Brasilia, para as quartas de final. Já tenho ingresso para esse jogo de quartas, uma grande alegria. Porque a alegria não e só brasileira.

Acompanhe mais artigos do Brasil Post na nossa página no Facebook.

Para saber mais rápido ainda, clique aqui.

MAIS COPA DO MUNDO NO BRASIL POST:

Galeria de Fotos Os Melhores Doodles da Copa 2014 Veja Fotos