OPINIÃO
27/03/2014 10:23 -03 | Atualizado 26/01/2017 20:51 -02

Mãe, minha vida é um reality!

O fenômeno dos reality shows, hoje em dia tão em moda, surgiu lá no ano de 1948 nos Estados Unidos com uma câmera oculta. O criador foi Allen Funt (1914-1999), produtor de televisão, diretor e escritor norteamericano. No entanto, tiveram que passar vários anos para que, somente em 1973, os reality shows assumissem o modelo que conhecemos na atualidade. O primeiro se chamou An American Family (Uma Família Americana) e foi uma espécie de documentário composto de 12 episódios, nos quais se mostrava uma família durante o processo de divórcio dos pais.

Em 1991, o reality holandês Nummer 28 (Número 28) foi o pioneiro em reunir debaixo de um mesmo teto pessoas desconhecidas e gravar o que acontecia entre elas. Mas apenas em 1997, com Expedition Robinson (Expedição Robinson), lançado originalmente na televisão sueca, é que se adicionou a ideia de competição e eliminação dos participantes até restar apenas um ganhador.

Seja o formato ou temática que for, este tipo de produto televisivo não faz mais do que deixar bem claro que o que nós seres humanos buscamos é visibilidade e notoriedade a qualquer custo. Sendo assim, me parece que este formato chegou para dar corda a imaginação e até o presente momento parece não ter limites, nem escrúpulos. Desta maneira, tanto celebridades, que desejam ter mais exposição mediática, quanto pessoas anônimas, que querem provar o sabor da fama ainda que seja por somente 15 minutos, congregam com esse tipo de gênero. Por outro lado, não se pode deixar de citar o como as celebridades utilizam as ferramentas disponíveis na internet (especialmente Twitter, Facebook e Youtube), o que resulta em uma forma bem personalizada e muito atrativa de fazer de suas próprias vidas um reality.

Exemplos de ambos os casos sobram. Ronaldo, a estrela do futebol brasileiro, se propõe a aparecer na televisão em horário nobre, em programa para tentar emagrecer; Jack Ass (Estados Unidos) é um programa, no qual os protagonistas realizam atividades em que sentem dor ou se expõem a situações de máximo risco possível para "divertir" aos telespectadores; Cops (Estados Unidos), mostra sem filtro policiais realizando seu trabalho cotidiano; Dançando por um sonho (Argentina), um famoso e um bailarino profissional formam par para dançar com a finalidade de demonstrar suas habilidades em diferentes ritmos musicais; Operação triunfo (Espanha) mostra participantes de um concurso para formar cantores; Reto dos Campeões (México), mostra boxeadores dentro e fora do ring lutando por um importante prêmio em dinheiro. Todos os temas são válidos e não existe discriminação para o reality show. Tudo pode ser televisionado, sem fronteiras entre o público e o privado, entre a ficção e a realidade. Pessoas que por desejo de aparecer o máximo possível na tela são capazes de realizar qualquer situação por mais vergonhosa que seja.

Neste sentido, a televisão, diferente do jornal e da rádio, está muito à frente na inovação do conteúdo e formato. Apesar dos detratores, controvérsias e críticas que vem acumulando, não se pode negar que o reality show se converteu no gênero mais inovador, criativo e que quebra mais tabus dentro e fora da televisão. Vendo isso, é difícil pensar se o futuro trará outro produto televisivo tão influente e rompedor de esquemas. Enquanto isso um holandês está imaginando para 2023 fazer um reality no espaço, na verdade em Marte, e que não inclui a viagem de volta a terra. Então, tanto com essa noticia como com muitas outras que se escutam com freqüência, não seria tão louco pensar que algum dia possamos eleger um presidente através de um destes programas.