OPINIÃO
12/03/2014 10:11 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:12 -02

Um vira-latas entre nós: nós!

Semana passada resolvi escrever sobre o julgamento do mensalão não como especialista, mas como cidadão que lê, acompanha, pensa, emite opiniões. Nunca fui tão duramente criticado pelos meus pares/seguidores virtuais.

Semana passada resolvi escrever sobre o julgamento do mensalão. Nada como especialista, apenas como cidadão que lê, acompanha, pensa, emite opiniões sem nenhuma pretensão de estar certo. Apenas e tão somente opinar. Nunca fui tão duramente criticado pelos meus pares/seguidores virtuais.

O que escrevi? Simples: que estávamos só criticando a absolvição do crime de quadrilha, quando na verdade deveríamos dar um passo para trás e, percebendo o todo, agradecer à oportunidade que o país estava tendo de suspeitar, investigar, julgar e punir - ciclo completo - um suposto caso de corrupção.

Voltando às críticas, grande parte delas vinha de raivosos seguidores que me acharam do partidão. Não sou desse ou daquele partido, a propósito. Apenas estava contente por ver que foi um tremendo avanço considerando os últimos 20 anos do país. E pior ainda foi quando dei essa justificativa, pois os críticos já imaginaram que eu me referia a qualquer comparação partidária novamente.

Passei então a colocar outros argumentos acerca das melhorias pelas quais o Brasil teve a possibilidade de se construir nas últimas duas a três décadas. E quanto mais colocava argumentos, mais críticas recebia.

No ponto alto de todo esse dilúvio de posts e contra-posts, joguei pesado: comecei a descarregar indicadores, estatísticas vindas das mais diversas fontes, neutras e confiáveis, apartidárias, para mostrar que havíamos avançado muito em que pese a distância ao ponto ideal estar muito distante.

Pronto, as críticas agora começaram a entrar na esfera pessoal, ainda educadamente, mas no plano pessoal no sentido de expressar uma certa decepção de ter-me como amigo virtual: como pode? Alguém que acredita que essa porcaria de país é bom em alguma coisa? Que melhorou em alguma coisa? Não! Esse país é um enrosco, os políticos são todos sujos, o povo é ignorante, a saúde não presta, as empresas são todas obras do coisa ruim, e por aí afora...

Não contente, inaugurei uma série de posts chamados: "me espanca que eu gosto". A cada novo dia, passei a abordar um tema em profundidade. Comecei pelo Bolsa Família, depois fui para o Sistema Público de Saúde e depois publiquei os dados sobre educação. Como não sou bobo nem nada, busquei dados das fontes mais confiáveis possíveis: internacionais, sem viés nenhum de alinhamento partidário, conhecidas por sua reputação, ética e qualidade dos dados e análises.

E o mais impressionante: em todos os casos, absolutamente todos, os dados são empolgantes, os mitos caem, dá verdadeiramente gosto de estar vivendo essa fase do Brasil. Claro que, por nossa tão curta trajetória se comparada a países desenvolvidos, temos muito a percorrer, mas a trilha é boa.

Penso que que o maior desafio do Brasil ainda são os brasileiros. Há uma parcela significativa que nos compram pelo que dizem de nós próprios. E quem diz não necessariamente tem os dados ou o interesse em dizer e mostrar que há nesse copo semivazio um lado semicheio.