OPINIÃO
05/10/2014 19:50 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:04 -02

Compartilhar boato político é ser aviãozinho da mentira

Vladimir Melnikov via Getty Images

Chegamos ao final do primeiro tempo destas que são as primeiras eleições nacionais com a força real das redes sociais. Em 2010, o Facebook era apenas uma sociedade secreta, o Whatsapp quase não existia e o Twitter sozinho não causava tanto impacto - e estrago - como todos esses juntos hoje. E, graças a isso, esta virou a eleição da fofoca virtual.

As redes sociais e afins são, óbvio, um grande avanço. Os eleitores tiveram mais voz, puderam questionar à vontade os aspirantes a deputado, senador, governador e presidente. Os candidatos conseguiram se aproximar mais das pessoas, responder perguntas em tempo real, difundir ideias e propostas com mais rapidez e clareza. E isso tornou a disputa até mais equilibrada, já que o tempo de TV não pesou tanto.

O problema é que, na mesma velocidade, aprendemos a viralizar fofocas, boatos e ataques gratuitos e forjados. Foi literalmente o telefone-sem-fio da nova era. Isso já acontecia em outros tempos, mas com menor alcance. Agora, o que um inventa lá na ponta vai sendo passado de um para o outro sem filtros nem questionamentos e em segundos. Muitos de nós nem percebemos, mas somos usados como aviõezinhos de informações completamente inventadas com o objetivo de ferrar alguém por interesses particulares que nada têm a ver com o bem da população. E nem ficamos constrangidos.

Não quero dar nomes porque acho que candidatos de todos os partidos e coligações do país foram alvos ou autores. Sempre que um adversário subia demais nas pesquisas, vinha o desespero. A lógica era o vale-tudo ou a lei do menor esforço. Se eu quero ganhar votos entre os professores, é muito mais fácil espalhar que o candidato X vai cortar benefícios da categoria do que convencê-los de que sou a melhor opção apresentando propostas. Se tenho a ficha suja, é mais fácil distorcer a realidade para dizer que o candidato Y também é do que provar que sou inocente ou assumir que errei. Essas pessoas sabem que a informação é um dos mais precioso bens que o ser humano pode ter - e o poder devastador que ela carrega.

Nas timelines e nos grupos de Whatsapp vi muita gente dita antenada, esclarecida e politizada repassando textos prontos sem qualquer questionamento. Muitas vezes, uma simples "googlada" ou um inbox enviado ao próprio candidato tiraria a dúvida. Então, deixa eu te contar uma coisa: compartilhar uma invenção política sem checar não é nada diferente de encaminhar uma corrente de e-mail que aquela sua tia velhinha que acabou de conhecer a internet mandou. Aquele dizendo que o chiclete é feito da baba da vaca ou que o hambúrguer do McDonald's é feito de minhoca...

Eu acho lindo podermos dar nossa opinião livremente na internet sobre qualquer assunto. Viva a democracia! Mas devemos tomar cuidado ao empunhar cegamente smartphones, tablets e notebooks contra os outros em nome de um candidato, um partido ou qualquer causa. Guardadas as devidas proporções, as consequências podem ser quase tão graves quanto o linchamento que matou a Fabiane de Jesus, no Guarujá, alvo de boatos espalhados pela internet. Não quero colocar os políticos como vítimas ou santos, mas até eles merecem ser acusados apenas do que de fato fizeram ou disseram.

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