OPINIÃO
07/05/2015 12:15 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

O novo Whitney: celebrando a importância do presente

Thimothy Schenck/divulgação

O texto a seguir reúne trechos do discurso de Adam D. Weinberg, diretor do Museu Whitney, realizado na cerimônia de inauguração da nova sede do Museu Whitney de Arte Americana, na Gansevoort Street, em Manhattan.

Bem-vindos ao Museu Whitney de Arte Americana. Nós estamos muito, muito honrados por recebermos aqui conosco nesta manhã a primeira-dama dos Estados Unidos, Michelle Obama. Muito obrigado pela presença. E obrigado também ao prefeito da cidade de Nova York, Bill de Blasio, hoje aqui para a inauguração da nossa nova sede.

O Museu Whitney se originou há mais de um século atrás a alguns quarteirões daqui, em Greenwich Village. Ele começou a tomar forma em MacDougal Alley, onde ficava o estúdio de Gertrude Vanderbilt Whitney - artista e herdeira de umas das mais ricas famílias dos Estados Unidos. Ali ela promoveu exposições para artistas, exibiu e também comprou suas obras para encorajar suas aspirações. Toda a ajuda que ela oferecia aos artistas nasceu muito menos do seu próprio sucesso, e sim de suas dúvidas, inseguranças, esforços e da profunda percepção de que artistas - ouso dizer que os que tinham mais talento-, enfrentavam desafios muito maiores do que os dela. Ela acreditava que a arte de qualidade e os grandes artistas têm a responsabilidade de levar ao público novos conhecimentos e ideias mais efetivas.

O amadurecimento de Gertrude Vanderbilt como pessoa, mulher e artista ocorreu em paralelo às jornadas que, no final, culminaram com a criação deste museu singular, a materialização do que ela era e do que ela aspirava ser.

Como escreveu sua biógrafa: "além de expressar a si mesma em esculturas, ela também se expressou em sua generosidade." Whitney patrocinou artistas, exposições, publicações e programas de arte para imigrantes pobres que moravam em abrigos, entre outras contribuições. Ela descobriu a si mesma ao ajudar os outros. E seu último e mais duradouro presente foi o museu que ela inaugurou em 1930.

Desde então, seu legado vem sendo levado adiante com muita paixão por gerações de mulheres visionárias da família Whitney, entre elas sua neta Flora Miller Biddle e sua bisneta Fiona Donovan.

Nos últimos dias, uma palavra tem sido utilizada pelos visitantes e pelos críticos para descrever o design deste magnífico prédio, criado por Renzo Piano: generoso. Não apenas que seja generoso no espaço oferecido a todos os tipos de arte, mas também se estende à cidade, é acolhedor ao público, respeita o entorno da região, é arejado, aberto, luminoso, mas sendo confortável e aconchegante.

Nosso arquiteto, Renzo Piano, realizou um trabalho extraordinário ao combinar o privado e o cívico, criando espaços que reafirmam a individualidade humana através da escala e do material utilizado nas estruturas. Ele conectou o mundo da arte de dentro do museu com a experiência de mundo exterior, dando espaço à contemplação da arte e da vida. Em resumo, com a colaboração da talentosa, generosa e missionária equipe do Museu Whitney - destacando entre eles Donna De Salvo, nossa diretora de programação e curadora chefe -, eles criaram um museu que exemplifica e ainda acrescenta à visão de Gertrude de uma casa para artistas e para a arte contemporânea. Vale lembrar que mesmo os trabalhos históricos em exibição foram contemporâneos em seu tempo e, apresentados hoje com eficácia pela nossa equipe de curadoria, eles podem ser tão contundentes como o foram na época de suas criações.

Meu predecessor, Lloyd Goodrich, escreveu algo importante para a inauguração do Museu Whitney na 75th Street em 1966, que foi conduzida por Flora Miller, filha de Gertrude Vanderbilt Whitney, e pela primeira-dama Jackie Kennedy: "O museu nunca deve se esquecer de que a origem da arte é o artista; ele deve respeitar a individualidade e não impor um ponto de vista a ele ou ela. Ele deve sempre das boas-vindas ao jovem e ao inovador. Reconhecendo a diversidade da arte contemporânea, ele deve representar todas as tendências criativas. Ele deve evitar uma definição reducionista da palavra 'americano', não importando se o artista é estrangeiro ou cidadão do país, mas aceitando como americano qualquer artista que more nos Estados Unidos".

O Museu Whitney sempre acreditou na importância do presente e na capacidade dos artistas de agir e influenciar as vidas do nosso tempo. Eles podem alterar percepções pré-concebidas, de modo a permitir que alguém mude o curso de nossa história. As palavras a seguir, ditas pelo Presidente Barack Obama, são palavras que seriam defendidas por Gertrude Vanderbilt Whitney e pelos artistas que nós apoiamos: "A mudança não virá se formos esperar pelos outros ou pelo futuro. Nós somos os responsáveis pela mudança. Nós somos a mudança que nós buscamos".

O Museu Whitney acredita profundamente nestas palavras, mesmo antes que elas fossem ditas. Esta é nossa missão, servir como plataforma para artistas que acreditam que o mundo que nós vemos e vivemos hoje não é tudo o que existe e muito menos tudo o que pode ser. Novos mundos podem ser imaginados e criados, como disse o Presidente Barack Obama, agora e no nosso tempo. Nós estamos aqui para estes artistas, assim como eles estão aqui para nós. Nossa nova casa foi projetada para isso e agora reconsagrada com esta crença. Este é o nosso presente para a cidade, para o país e para o mundo, como foi o de Gertrude Vanderbilt Whitney à sua época.

Este presente se tornou viável com a ajuda de muitos, principalmente do Conselho de Administração do Museu Whitney, liderado por Bob Hurst, Brooke Neidich e Neil Bluhm. Eles, e muitos indivíduos generosos, acreditaram quando muitos diziam que o projeto não poderia ser realizado, perseveraram quando os obstáculos apareceram e apoiaram quando alguns hesitaram em contribuir, e pode acreditar que hesitaram. Agora, é com imenso prazer que eu apresento o prefeito Bill de Blasio.

O prefeito de Blasio está comprometido em deixar um legado artístico duradouro nesta cidade. No verão passado, não muito tempo depois de assumir o cargo, o prefeito esteve orgulhosamente ao lado de Scott Stinger, Controlador de Contas, e de Carmen Fariña, Secretária de Educação de Nova York, para anunciarem um aumento de 23 milhões de dólares destinado à educação artística nas escolas públicas de Nova York. Bravo. O prefeito de Blasio disse: "Nós queremos que cada criança possa sentir o prazer proporcionado quando aprendemos sobre algo pelo qual somos apaixonados. E isso pode acontecer ao entrar em contato com um instrumento musical, aperfeiçoando uma técnica artística ou atuando em um palco pela primeira vez. Queremos ajudar os jovens a se descobrirem".

E eu vejo muitos jovens aqui hoje. Nós temos muita sorte em termos um prefeito que compartilha nosso pensamento, o de que a arte é um direito, não um privilégio. Obrigado.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.