Opinião

Por que é certo cuidar de você mesma e dizer não aos outros

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Photo Courtesy of: Aaron Greenwood

Há muito tempo sou da variedade multitarefas, mãe de três filhas, um cão idoso, uma esposa há 12 anos e anteriormente proprietária de uma movimentada firma de fotografia. Usar muitos chapéus sempre me motivou e, é claro, como mãe de três meninas, há muito interesse por moda em nossa casa. É aqui que eu lhe conto que finalmente caí de cara no chão. O tapete foi arrancado de baixo de mim e depois queimado. Eu falhei e aqui está a surpresa... gostei, e hoje sou grata por isso.

Um verão cheio de compromissos, sessões familiares e, é claro, casamentos me deixou esgotada no final de cada dia. Não importa o malabarismo de aniversários, nosso aniversário de casamento e garantir que nossa casa estivesse limpa o suficiente para os hóspedes ou clientes e que todos usássemos roupa de baixo limpa. No verdadeiro estilo "mamãe", eu cheguei a fazer 50 tarefas ao mesmo tempo, supercomprometida com tudo e com todos, muitas vezes por culpa e medo. Ao longo dos anos eu permiti que outros se aproveitassem de meu tempo e meus recursos. Muitas pessoas justificavam seus atos por ser um "cliente" ou "amigo" e quando isso somente não produzia o sucesso que desejavam elas recorriam a me culpar ou tentar me causar vergonha.

Photo Courtesy of: Aaron Greenwood

O verão continuou e aí, no último dia de julho, nos mudamos para outra cidade. Meu marido foi chamado para um trabalho e eu mudei quase a casa inteira só com nossa filha. Fui voluntária, doei alimentos para uma instituição de caridade local e fotografei um casamento, tudo no mesmo dia. Na hora de dormir, meus olhos estavam gastos e meus pés igualmente. No dia seguinte acordei sentindo-me mais cansada que nos dias anteriores, e a fadiga só se intensificou e se somou a uma terrível dor de estômago. Eu me arrastei pelos dias com sessões de foto, edição, tarefas domésticas e desembalar as coisas. O tempo todo me sentia péssima, quase morta.

A doença persistiu e os dias se transformaram em semanas e depois de três semanas eu, geralmente uma obsessiva-compulsiva, me vi deitada no chão do banheiro, sem me importar, gritando e me contorcendo com uma terrível dor de estômago. Foi isso. Eu tinha chegado ao fundo. Nas semanas que se seguiram, fingi ao longo dos dias. Deprimida, quase não conseguia me sentir feliz e lutava para me recompor. Halloween, o Dia de Ação de Graças e o Natal vieram e passaram, sem fazer qualquer decoração, biscoito ou árvore com nossas filhas. Eu quase não consegui comprar presentes, esperei até a manhã do Natal. Voltei para casa e nossas filhas tinham decorado a árvore, por isso não precisei me sentir mal vendo apenas luzes penduradas nos galhos nus. Naquele momento fui abalada até o núcleo.

Photo Courtesy of: Aaron Greenwood

Antes que você imagine que não tive ajuda do meu marido, ele me ajudou de muitas maneiras, e cuidar de uma família exige muito trabalho. Ele trabalhava em um emprego em tempo integral muito exigente, e foi muito além de ser o guardião de nossa solidão e felicidade.

Afinal, acabei com uma úlcera de estômago, com H. Pylori, problemas de tireóide e uma infecção que se espalhou por meu corpo. Embora eu saiba que nem todo mundo se queima ou luta simplesmente por causa de doença ou ferimento, meu corpo fez questão de me lembrar disso da maneira mais agressiva que ele poderia, na verdade, quebrar e queimar se eu não fosse mais cuidadosa com os exageros que lhe impunha. A força que eu obtive disso é insubstituível.

Muitas vezes me pergunto quando esse modo de vida acelerado, exagerado, consumidor, obcecado por realizações e bens materiais vai apanhar cada um de nós, independentemente da saúde ou das circunstâncias. Certamente não estamos vivendo a vida, mas correndo por ela, sobrevivendo, a cada RSVP, o melhor possível. Principalmente, eu me pergunto como eu mantinha essa vida e como até gostava dela.

Photo Courtesy of: Aaron Greenwood

Em 2011 minha casa era digna de ser exposta, a decoração era meu hobby e os tecidos espinha de peixe não me causavam náusea, como hoje. Hoje não passo mais o aspirador duas vezes por dia, minha casa é bastante limpa, organizada de maneira racional e bem editada. Aprendi a viver nela com objetivo. Meu valor é medido não pelo carro parado na porta ou o lucro projetado de minha empresa, mas sim ao entrar na sala e encontrar minhas três filhas dançando alegremente, ou ser capaz de compassivamente lidar com nossas meninas com um "círculo de irmãs" quando as brigas saem do controle.

Photo Courtesy of: Aaron Greenwood

Ainda estou exausta e trabalhando para compensar prejuízos passados, assim como equilibrando minha saúde em longo prazo. Hoje não suo por causa de pequenas coisas.

Hoje carregamos suprimentos artísticos em nosso carro, fazendo "arte junto à estrada" como gostamos e quando o clima permite. Estou lendo mais livros, redescobrindo Pablo Neruda, passando horas em casa com meu marido assistindo a maratonas de seriados. Nossas energias e esforços estão mais concentrados em trabalhos e atos de serviço social para melhorar o mundo e ensinar a nossas filhas que devemos agir sem esperar recompensa ou reconhecimento.

Photo Courtesy of: Aaron Greenwood

Hoje tenho um coração e uma mente humildes, contando os minutos e momentos dos meus dias e também quaisquer erros. Garantindo que meus amores estão aninhados, só porque gosto disso. Nosso casamento está em um lugar muito forte. Mais importante, tenho uma tolerância e curiosidade por nosso mundo e pelos outros, de uma maneira que não tinha antes. Viver com o mantra "escolha suas batalhas", encontrar beleza mesmo nos momentos que realmente não entendo ou acho agradáveis. É uma liberdade que eu duvido que você possa encontrar sem acordar no chão, perceber que está esgotada de muitos recursos. Realmente é incrível como nosso subconsciente pode nos fazer perceber nossa consciência.

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