OPINIÃO
24/08/2015 18:40 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:33 -02

MMA: A necessidade de ter opinião e a difícil tarefa de aceitar derrotas

Rumores pipocaram para analisar os motivos que levaram Charles 'Do Bronx' Oliveira a pedir para parar.

Divulgação

No último domingo (23), o brasileiro Charles 'Do Bronx' Oliveira entrou para lutar, sentiu uma lesão e pediu para parar. Tudo isso em exatos 99 segundos, tempo superior apenas ao período necessário para que rumores chegassem com força para analisar os motivos que levaram a promessa brasileira à derrota. E, de todos os lados, o que menos se leu, como esperado, foram argumentos embasados.

O mais padrão, claro, foi apontar na lesão o erro da equipe e do atleta que, por já ter caído na besteira de entrar no octógono sem condições de luta anos atrás, foi tachado como um talento disposto a jogar sua carreira fora por falta de acompanhamento adequado.

(Ignora-se aqui a posição do treinador de Charles, que garantiu que não apenas o tratamento foi concluído com êxito, como o próprio UFC sabia da contusão e que o brasileiro estava em condições de competir. Sim, lesões durante o camp são mais normais do que o contrário, e quando curadas a tempo o atleta segue o jogo. Acredite!).

Na sequência, um ponto sugerido por um fã em um fórum especializado me fez rir tamanha a curiosidade despertada pela "prova irrefutável" descoberta. Antes de entrar no cage, Charles apenas levantou os braços e seu staff ficou responsável por tirar sua camisa.

Pronto, estava ali a certeza de que ele estava, sim, machucado, tanto que ainda ficou com os olhos marejados pelo receio do que estava por vir.

(Juro que não vai tomar muito do seu tempo mas, ao procurar no Google Vídeos as entradas do atleta, fica nítido que: 1- emoção antes da luta é comum ao jovem faixa-preta e 2- ele nunca tira sua camisa. A tarefa sempre é desempenhada pelos corners.)

Confesso que até o fechamento deste texto outros argumentos sem nenhum fundamento devem ter vindo à tona, mas não me preocupei em listá-los simplesmente porque o motivo do post é outro: não ter opinião, por vezes, é a melhor saída.

Enquanto médicos ainda examinam o atleta no Canadá, o UFC divulgou com todo o cuidado e certeza do mundo que ele sofreu, a princípio, uma microrruptura no esôfago.

A partir daí, perguntas devem ser feitas, mas precisarão de tempo e, principalmente, conhecimento para serem respondidas. Quando e como essa ruptura ocorreu? Existe relação direta com a contusão do atleta sofrida duas semanas antes da viagem ao Canadá? Charles estava em condições de lutar? Caso não, quando e como ele poderia ter sido 'barrado'?

Especular com o poder e velocidade de fóruns e comentários em páginas das redes sociais faz que rumores ganhem quase que veracidade total, o que não apenas dificulta a transmissão da real notícia, aquela trabalhada e buscada com fontes, entrevistas e (boa dose de) paciência, como também faz que a credibilidade das mesmas seja confundida e, adivinhem, o espaço para rumores aumente ainda mais.

Portanto, agora é ter calma. E, até que todas as perguntas sejam respondidas e analisadas (com calma), exercitar a capacidade de aceitar uma derrota, por mais frustrante que ela seja, é uma tarefa que poderia se tornar mais comum.

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