OPINIÃO
15/09/2015 14:52 -03 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02

Injustiça do UFC pode salvar carreira de Miesha Tate

Josh Hedges/Zuffa LLC via Getty Images
LAS VEGAS, NV - JANUARY 30: Miesha Tate steps on the scale during the UFC 183 weigh-in at the MGM Grand Garden Arena on January 30, 2015 in Las Vegas, Nevada. (Photo by Josh Hedges/Zuffa LLC/Zuffa LLC via Getty Images)

Não foi a primeira e nem será a última vez que o UFC comete uma injustiça. Dana White anunciou publicamente que Miesha Tate seria a próxima adversária de Ronda Rousey em luta válida pelo cinturão dos pesos-galos (61 kg) e, dias depois, mudou de ideia e convocou Holly Holm para a sonhada vaga. E, ao que tudo indica, ele ainda por cima se esqueceu de avisar a lutadora deixada de lado antes de revelar que havia mudado de ideia.

Pois bem, mas quando questionado sobre os motivos que o levaram a tomar tal decisão, o presidente do evento pareceu ser sincero quando afirmou que a razão principal era, claro, dinheiro. Derrotada em duas oportunidades pela judoca, Miesha não teria apelo suficiente para vender o quanto se espera para uma apresentação de Ronda, grande estrela na organização no momento. Mentira? Longe disso.

Acontece que a argumentação é mais uma prova clara de que ranking e meritocracia não fazem muito sentido no cronograma do maior evento de MMA. Afinal, enquanto Miesha é a número um do ranking atrás apenas da campeã e ostenta quatro triunfos seguidos no octógono, a ex-pugilista ocupa a posição de número oito e, embora invicta após nove duelos nas artes marciais, só fez duas apresentações no UFC.

No entanto, em raciocínio mais tortuoso do que lógico, Tate tem motivos de sobra para não ficar triste. Afinal, com duas derrotas para Ronda no currículo, caso um novo revés acontecesse, sua carreira estaria entre a cruz e a espada, e isso logo aos 29 anos.

Com estrutura grande demais para sequer pensar em cortar peso e atuar na divisão peso-palha (52 kg), a morena jamais teria outra chance de lutar pelo cinturão enquanto Ronda se mantivesse no topo. Mas o que muda entre lutar no final deste ano e fazer apenas mais um combate antes de, possivelmente, encarar Ronda de novo? Preparo físico e tempo de trabalho, nesta ordem.

Das quatro vitórias que colecionou em linha, apenas as duas últimas mostraram uma Miesha dominante, tanto física quanto tecnicamente (embora ainda cometa falhas táticas impressionantes). E isso tudo é fruto da nova fase de sua carreira, quando voltou seus esforços para os treinos físicos e ganhou peso de massa muscular, resistência e dinâmica no cage.

Com o preparo em dia, nada melhor para a ex-campeã do Strikeforce do que subir degrau por degrau e, com desafio marcado contra a brasileira Amanda Nunes, de fato fazer um teste derradeiro ao seu novo estilo. Caso pare a embalada baiana, o UFC nem poderá lhe negar outro title shot. E, sendo ele contra Ronda, a americana, ao menos em tese, teria tempo de sobra para se apresentar na sua melhor forma de todos os tempos. Condição mínima para encarar a única rival que já a venceu em duas ocasiões.

Claro que encarar Amanda é um risco, mas ganhar alguns meses de preparação em um período em que seu crescimento profissional se destaca como nunca antes visto pode ser o trunfo que ela precisava. Se a frustração por ser deixada de lado não interferir no lado psicológico, a resposta poderá ser dada em dezembro, quando sua luta contra a brasileira deve sair do papel. Vale conferir!

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