POLÍTICA
02/01/2019 10:28 -02 | Atualizado 02/01/2019 10:29 -02

Ministros mais próximos de Bolsonaro assumem cargos no Planalto

"O diálogo será a marca desse governo. Vamos surpreender pela capacidade de dialogar", disse Onyx Lorenzoni.

Montagem/Associated Press/Agência Brasil

Quatro ministros mais próximos do presidente Jair Bolsonaro, que ficarão no Palácio do Planalto, assumiram os postos na manhã desta quarta-feira (2). Foi feita a transmissão de cargo para Onyx Lorenzoni (Casa Civil), Gustavo Bebianno (Secretaria Geral), general Carlos Alberto Santos Cruz (Secretaria de Governo) e general Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional).

Responsável pela transição entre governos, o deputado licenciado Onyx Lorenzoni (DEM-RS) começou o discurso agradecendo a Deus e enalteceu o novo presidente. "Uma salva de palmas para o homem que trouxe de volta a esperança verde e amarela para o Brasil", pediu.

Além de destacar momentos difíceis da campanha eleitoral, o novo ministro responsável pela articulação política prometeu uma relação harmônica com os parlamentares. "O diálogo será a marca desse governo. Vamos surpreender pela capacidade de dialogar. O Parlamento precisa disso e o presidente sabe", afirmou. Ele destacou ainda os 28 anos de mandatos de Bolsonaro na Câmara dos Deputados.

Onyx fez um apelo de cooperação à oposição para aprovar reformas e afirmou, por outro lado, que os ministros devem ter "bons ouvidos àqueles que se opõe aos nosso governos". Partidos como PT e PSol se recusaram a comparecer à posse presidencial nesta terça-feira (1º).

O titular da Casa Civil citou a deputada Joice Hasselmann (PSL-SP), mulher mais votada para deputada federal em 2018, e "em homenagem a todas as mulheres que serão em maior número", em referência ao aumento da bancada feminina, que terá 77 integrantes.

Os nomes da duas únicas ministras mulheres, Tereza Cristina (Agricultura) e Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos) também foram citados. Onyx disse que a pastora Damares "vai fazer como fez a primeira dama ontem e nos fazer olhar para aqueles que cotidianamente não enxergamos", em referência ao discurso de Michelle Bolsonaro na posse. "Essas mulheres nos ajudam com sensibilidade a conduzir o Brasil", completou.

Militares no governo

Primeiro integrante do novo governo a discursar, general Augusto Heleno afirmou que sua missão é tratar da segurança e viagens do presidente. Ele destacou também que irá cuidar do sistema de inteligência brasileira, segundo ele, recuperado por seu antecessor, ministro Sergio Etchegoyen e "derretido pela senhora Rousseff, que não acreditava em inteligência", em referência à ex-presidente Dilma Rousseff.

O militar afirmou que irá se empenhar para que Bolsonaro tenha disponíveis informações mais atualizadas e elaboradas para tomar decisões. "É um trabalho muito sério que será penoso, mas tenho certeza nos conduzirá a um novo destino", disse.

Comandante das forças da ONU no Haiti, o general Santos Cruz afirmou que a Secretaria de Governo vai continuar sendo um ponto de entrada de relacionamento institucional com a Presidência da República e não haverá limitações no diálogo. "Estaremos sempre de portas abertas a todos prefeitos, governadores, todas instituições, movimentos sociais e organismos independe de toda e qualquer consideração", afirmou.

No discurso, o novo ministro destacou a transparência como base do trabalho do governo e dos futuros processo de privatizações. O militar destacou sua função também de coordenação dos ministérios e ressaltou que a pasta irá atender a todos segmentos sociais e que não serão impostas restrições a qualquer grupo.

Um dos principais articuladores da campanha eleitoral de Bolsonaro, o advogado Gustavo Bebianno cumprimentou o presidente com uma continência ao iniciar o discurso como ministro. Ele relembrou o atentado ao então presidenciável em setembro e disse disse que o trabalho foi feito com "suor, lágrimas e literalmente sangue". "Sangue derramado no covarde atendemos de setembro foi um atentando não só contra a vida do nosso comandante mas contra a própria democracia brasileira", completou.

Bebianno prometeu cumprir as ordens e diretrizes do presidente de forma fiel, elogiou os novos ministros e destacou a atuação do titular da Economia, Paulo Guedes. "Esperamos que o liberalismo econômico seja implementado em favor de todos nós", disse. De acordo com o novo ministro, o Brasil é gigante e deve ficar longe das "da garras destructivas da mentalidade bolivariana que ameaça nações na América do Sul".

Nesta terça-feira, Bolsonaro assumiu a Presidência da República e empossou 21 ministros, além de assinar a indicação de Roberto Campos Neto para a presidência do Banco Central, que terá de ser aprovada pelo Senado.