POLÍTICA
01/01/2019 21:37 -02 | Atualizado 01/01/2019 23:47 -02

Rigor na segurança foi entrave para população participar da posse de Bolsonaro

Apesar das dificuldades para chegar à Praça dos Três Poderes, posse teve tons de verde e amarelo e clima de Copa do Mundo.

Bloomberg via Getty Images
A estimativa inicial de público era de cerca de 500 mil pessoas. Em balanço divulgado no início dessa noite, contudo, a informação é que a posse contou com cerca de 115 mil pessoas. 

A posse do presidente Jair Bolsonaro (PSL) teve clima de Copa do Mundo para os fãs do "mito". Na Esplanada dos Ministérios, verde e amarelo era o que se via no gramado central.

Mas só por ali. Porque os apoiadores do presidente ficaram embarreirados por grades ao longo de todo o trajeto. Inclusive parte do trecho inicial do caminho que o presidente fez da Catedral Metropolitana de Brasília até o Congresso Nacional não apenas estava gradeado, como tapado por um tapume de metal.

As dificuldades para o público não se restringiram a isso. Todos foram obrigados a se submeter a uma série de revistas - pelo menos 3 - executadas por policias militares. E a deixar para trás, em alguns casos, coisas de uso pessoal - protetor solar, batom, prendedor de cabelo - ou básico, como água.

O cerimonial da Presidência da República, por decisão do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), decidiu que ninguém poderia levar garrafas de água, ainda que transparentes. Pontos de distribuição de água potável da Caesb (Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal) foram colocados em alguns pontos da Esplanada. Mais de 100 mil litros de água foram distribuídos aos presentes.

Mesmo com água à disposição, havia muita fila nos pontos de abastecimento. Algumas pessoas passaram mal - 18 segundo a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal (SSP-DF) - e chegaram a ser socorridas e atendidas em ambulâncias do Corpo de Bombeiros.

Colete à prova de bala

A orientação do GSI conforme justificativas dadas via assessoria de imprensa do governo e por fontes que preferiram não se identificar, deveu-se em precaução à segurança do presidente. Ainda de acordo com fontes do governo, Bolsonaro usou colete à prova de balas nesta terça. Ele acabou desfilando em carro aberto, o que ainda era uma dúvida até horas antes ao início da cerimônia.

O reforço na segurança não se restringiu às limitações de mobilidade do público. Forças policias de inúmeras frentes participaram do evento, da PM, à Polícia Rodoviária Federal (PRF), passando pelos Batalhão de Choque e cavalaria da PM, pelo Exército, Marinha e Aeronáutica, Força Nacional de Segurança, além das Polícias Legislativa, da Presidência, do Itamaraty e dos Dragões da Independência.

A estimativa inicial do cerimonial da Presidência e do GSI era de um público de cerca de 500 mil pessoas. Em balanço divulgado no início dessa noite, contudo, a informação é que a posse de Jair Bolsonaro contou com cerca de 115 mil pessoas.

Por volta das 21h, quase não mais havia mais apoiadores na Esplanada. Menos de 20 pessoas ainda permaneciam em frente ao Itamaraty, onde o presidente recebeu chefes de estado e outras autoridades em um jantar. O público aguardavam a saída dele e de sua esposa, aplaudindo cada um que deixava o prédio.